Os filhos não vêm com manual de instrução, mas é cada vez mais comum os pais recorrerem às livrarias para encontrar nos livros a orientação que os auxilie na missão de formar um ser humano. No fim do ano, o livreiro e editor Aramis Chain reparou no número expressivo das vendas de títulos relacionados ao tema. “Depois dos 50 tons, foram os livros de orientação dos pais que mais venderam no Natal”, compara. Embora ele e os especialistas em comportamento humano aprovem essa busca, a efetividade do que é apresentado nos livros depende da disposição em realizar mudanças em toda a dinâmica entre pais e filhos. Há de se ter em mente que se dá um passo de cada vez nessa empreitada e que pensar apenas no resultado torna tudo mais difícil.

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Para a psicóloga e mestra em Psicologia da Infância e da Adolescência da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Patrícia Guillon, esse movimento dos pais às estantes de bibliotecas e livrarias é o desdobramento do que as transformações sociais, principalmente a chamada tripla jornada feminina (mãe, esposa e profissional), causaram.

Reformulaçã da família

Em contato direto com os compradores desse tipo de literatura, Aramis Chain também acredita que o caminho passa pelos autores e atitude dos pais de repensarem a educação dos filhos. “Hoje é muito comum as escolas recomendarem tratamentos psiquiátricos por causa da hiperatividade e a falta de limites de crianças e jovens. Para os frequentadores da livraria que estão nesse dilema sempre digo que um bom livro sobre o tema é muito mais em conta do que medicamento como ritalina e seus efeitos se perpetuam”, defende.

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Patrícia Guillon diz que é comum o livro servir de pontapé inicial para a família se reformular. “Muitos chegam ao consultório depois de lerem algo que os tocaram. O profissional de Psicologia sabe que quando inicia a terapia com criança ou adolescente começa o tratamento com toda a família, porque só haverá mudança no comportamento da criança se o ambiente familiar modificar”.