O caminhoneiro Antônio Vieira, 57 anos, mora em uma casa na esquina das ruas Sebastião Alves Ferreira e Antônio Cândido Cavalim, no Bairro Alto. Por causa da profissão, passa semanas longe do lar.  Por isso, sua calçada se transformou num verdadeiro depósito de entulho. “Quando eu volto de viagem, sempre tem lixo e caliça jogados aqui na frente. Não sei o que o pessoal pensa”, desabafa.

Ao longo da calçada, há desde garrafas vazias de bebidas alcoólicas até um vaso sanitário quebrado. Seu Antônio conta que tudo começou após a demolição de uma casa de madeira que havia no terreno. Boa parte da caliça já foi retirada, mas ainda restam algumas tábuas, tijolos e concreto quebrado. “A vizinhança vê e acha que é sempre assim e acaba deixando aqui o resto de suas obras”, diz. Seu Antônio flagrou a última vez que jogaram entulho em sua calçada e quase se formou uma confusão. “Cheguei a bater boca com o vizinho, que depois retirou o entulho. Ele chegou jogando sem menor vergonha na cara. Mas depois conversamos e tudo ficou certo”, afirma.

O entulho não é exclusividade da calçada do Seu Antônio. Ao longo das vias do Bairro Alto há dezenas de pilhas de caliça e lixo vegetal espalhados em frente a casas e terrenos da região. Só na Rua Gastão Luiz Cruls, a Tribuna flagrou seis pontos de despejo de entulho na calçada.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) recolhe até cinco carrinhos de mão de mão de entulho ou lixo vegetal. Se passar dessa quantidade, a coleta é de responsabilidade do próprio gerador. Para agendar a coleta ou denunciar descarte irregular, basta ligar no 156. Na semana passada, nove caminhões retiraram entulho de construção civil das ruas do Bairro Alto. Cada caminhão retira, em média, 5 mil quilos de entulhos por dia. Ontem, seis equipes estavam no bairro e amanhã virão nove.