Cachorros na Sociedade Protetora dos Animais.

A extirpação das cordas vocais dos cães, para que eles deixem de latir, vem se tornando uma prática comum entre alguns proprietários de animais. Entretanto, a medida é condenada por grande parte dos médicos veterinários, que se recusam a realizá-la por considerarem uma forma de mutilação e agressão.

Segundo a médica veterinária Silvana Cristina Estevam, da Sociedade Protetora dos Animais em Curitiba, geralmente optam pela extirpação proprietários de cães que vivem em apartamentos. “O latido do cão começa a incomodar os vizinhos. Sem querer se desfazer do companheiro, os donos acabam optando pela extirpação. Essa é uma atitude bastante egoísta e que não beneficia em nada o animal”, declara.

O professor titular de cirurgia veterinária da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Felipe Wouk, que não realiza a extirpação por considerá-la antiética, explica que o procedimento é rápido e realizado sob efeito de anestesia geral. “A cirurgia dura cerca de vinte minutos e consiste na amputação de uma parte das duas cordas vocais que o cão tem na laringe. É um procedimento considerado de conveniência ao proprietário e não ao animal”, afirma.

A cirurgia não é dolorosa, mas suas conseqüências geralmente causam bastante sofrimento ao cão. Nos dois ou três primeiros meses pós-cirurgia, o animal deixa completamente de latir. Porém, depois desse período, começa a emitir um latido baixo e de característica rouca, que geralmente não pode ser ouvido por vizinhos, mas acaba irritando os próprios moradores do apartamento.

“O cão não consegue mais se ouvir da forma que se ouvia antes. Por isso, passa a emitir um latido rouco e de forma bastante repetitiva”, explica Felipe. “Por não conseguir mais se comunicar, acaba apresentando mudanças de comportamento. Torna-se um animal quieto, menos brincalhão e bastante triste.”

Precauções

Na opinião da veterinária Cláudia Turra Pimpão, que é diretora adjunta do curso de Medicina Veterinária da PUCPR, uma pessoa que deseja ter um cão dentro de um apartamento e não quer que os vizinhos sejam incomodados, deve tomar algumas precauções antes da aquisição do animal. “Todo cão late, mas pode-se minimizar os problemas adquirindo animais de raças consideradas mais calmas, como por exemplo Maltês e Lhasa Apso”, comenta. “Já a extirpação das cordas vocais vai contra o bem-estar animal.”