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Brigitte Montfort ainda vive no imaginário de muita gente

Ela é personagem de histórias de espionagem de livros da série ZZ7

  • Por Edilson Pereira

Se fosse escolher uma mulher inesquecível de minha adolescência, acho que não teria dúvida: Brigitte Montfort. A dona tem tudo que faz uma mulher admirável: é linda, eternamente jovem, sensual, tem toque brasileiro, internacional, mora em Nova York, educada, elegante, sedutora, meiga e quando precisa se vira bem com uma pequena pistola com o cabo de madrepérola. Uma mulher fatal.

Brigitte é personagem de histórias de espionagem de livros de bolso da série ZZ7 dos anos 60, época de ouro dos espiões simpáticos, tipo James Bond, Modesty Blaise e outros. O enredo de cada história variava pouco: uma viagem a um país distante, com vilão russo ou chinês no meio, um nativo que precisava de ajuda e um ditador cruel que ia levar boas pauladas. Brigite sempre tinha um amigo legal e leal, mas geralmente ela transava com outro tipo que aparecia na história quase sempre para isso.

As histórias não tinham pornografia literária, mas sensualidade contida. Elas sugeriam uma coisa que acabava ficando explosiva, porque o leitor imaginava que a dona da história era a moça da capa, desenhada por Jorge Luís Benício. O cara, que ainda está vivo, é um gênio da ilustração. Ele criou verdadeiras pin-ups. Um desenho original para cada história.

E assim transformou Brigitte Montfort numa espécie de pulp fiction, um equivalente literário dos catecismos de Carlos Zéfiro. As histórias eram escritas por um espanhol chamado Antonio Vera Ramirez, que nasceu em Barcelona e assinava como Lou Carrigan. Ele é o pai de Brigitte. Mas o avô é o brasileiro David Nasser, que criou a mãe de Brigitte Montfort, Giselle Montfort, a espião nua que abalou Paris. Embora cidadã americana, Brigitte era francesa e filha de alemão.

Giselle foi bem sucedido case da imprensa brasileira. Vendeu milhares de exemplares do Diário da Noite, em 1948. Todo mundo lendo como verdade embora desconfiasse que não fosse. A Editora Monterrey, que lançou a história de Giselle em livros de bolso, viu ali um filão e investiu em Brigitte. Não deu outra. Mãe e filha levaram multidões de adolescentes e não apenas eles para a prática solitária do onanismo. Hoje parece ingênuo, mas naquele tempo era um requinte em sensualidade.

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