Quase seiscentas mil pessoas morreram vítimas de homicídios no Brasil entre 1980 e 2000. Nesse período, 2,07 milhões de pessoas morreram por causas violentas – homicídio, suicídio, acidentes e outras causas não-naturais – no País, segundo a pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem.

Deste total, 598.367 pessoas foram vítimas de homicídios, cerca de dois terços delas, 369.101, na década de 90. Os números mostram uma inversão: enquanto, em 1980, os acidentes de trânsito eram a principal causa de mortes violentas, em 2000 os homicídios assumiram esse posto. Os homicídios representaram 38,3% das mortes violentas desse ano. No Paraná esse percentual é menor, de 23,2%.

Nesses 20 anos, a taxa de mortalidade por homicídios no Brasil aumentou 130%, de 11,7 para 27 por 100 mil habitantes. “É um fenômeno crescente desde o início dos anos 90 e coincide com as crises econômicas. As altas taxas de desemprego estão associadas a altas taxas de violência”, afirma Celso Simões, demógrafo do IBGE.

Os dados mostram ainda uma diferença nos índices por região. De 1991 a 2000, houve uma aumento de 27% na proporção de óbitos por homicídio no País. No Sudeste, esse número chegou a 41,9%, mas na região Norte houve uma queda de 4,2 % nesta proporção. No Sul o aumento foi de 10%.

Aumento da violência

A síntese de indicadores sociais mostra o crescimento da violência desde os anos 80. Naquela década, a maior parte das mortes violentas era causada pelos acidentes de trânsito. A partir dos anos 90, essa maior parcela ficou por conta dos homicídios. De 1980 a 2000, as taxas masculinas de mortalidade por homicídios saltaram de 21,2 para 49,7. O IBGE diz que em 82,2% dos casos de homicídio (1,7 milhão) as vítimas foram homens.

Entre 1991 e 2000, no Brasil, aumentaram em 95% as taxas de mortalidade por homicídios com uso de armas de fogo, entre homens de 15 a 24 anos. Em números absolutos, em 1991, foram vítimas de homicídio 5.220 homens nessa faixa de idade, com uso de armas de fogo, e outros 12.233 foram mortos da mesma forma, em 2000.

A pesquisa divulgada ontem é a quinta versão de um estudo denominado Síntese de Indicadores Sociais, com dados coletados até 2002. O estudo, que está dividido em tópicos como saúde, educação, trabalho, família e cor, faz uma comparação entre dados coletados desde 1980. Além dos dados relativos à violência, o estudo identifica também avanços nas áreas de saúde e educação nos últimos anos, além de demonstrar o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho. Mostra, também, um crescimento do número de desempregados. Um dos fatores geradores do aumento da violência.

População idosa cresce rapidamente

O número de idosos com mais de 70 anos está crescendo rapidamente no País, segundo projeção da população total para 2005/2030 divulgada ontem pelo IBGE. De acordo com o estudo, a população total do País deverá saltar de 184,18 milhões de pessoas em 2005 para 237,73 milhões de pessoas em 2030.

Desse total, a população com 70 anos ou mais passará de 7 milhões de pessoas em 2005 para 18,67 milhões em 2030. Desse modo, a fatia de participação das pessoas dessa faixa etária no total da população vai subir de 3,9% em 2005 para 7,9% em 2030. Hoje, 3,7% dos paranaenses têm mais de 70 anos. Entre os moradores do Paraná com mais de 60 anos, 55,5% são mulheres. Por outro lado, a população de zero a quatro anos, base da pirâmide etária, vai cair de 17,97 milhões de pessoas em 2005 (9 8% do total ) para 16,67 milhões em 2030 (7,0%).

Em 2020, os idosos chegarão a 25 milhões de pessoas, 15 milhões de mulheres, numa população de 219,1 milhões no Brasil, de acordo com o IBGE. Eles representarão 11,4% da população. Devido às sucessivas quedas das taxas de fecundidade e à diminuição gradativa das taxas de mortalidade registradas nas últimas décadas, estudos mostram que é irreversível o envelhecimento da população brasileira.

Em 2002, o País tinha 16.022.231 de pessoas com 60 anos ou mais representando 9,3% da população, e 56,0% deles eram mulheres. Em 2002, os idosos representavam 10,2% da população do Sudeste, 10% da população do Sul, 9,3% da população do Norte, 8,9% da população nordestina e 7,2% da do Centro-Oeste.

Comparação

Embora nos países da Europa esse envelhecimento tenha ocorrido devido às melhorias médico-sanitárias, no Brasil, para a maioria da população, tais condições estão longe de ocorrer. Em 2002, 43% dos idosos tinham rendimento familiar per capita inferior a um salário mínimo. Em números absolutos, 4.870.336 pessoas com 60 anos ou mais (30,4% do total de idosos) estavam ocupadas em 2002.

Em 2002, o Brasil tinha 12.445.563 aposentados ou pensionistas, ou 77,7% do total de idosos. O Paraná contava com 695.097 aposentados ou pensionistas. O nível educacional das pessoas de 60 anos ou mais, embora baixo, vem aumentando: enquanto 48,2% dos idosos com 75 anos ou mais tinham um ano de estudo ou menos, entre os de 60 a 64 anos, o percentual cai para 30,5%. Entre os idosos, 12,1% moravam sozinhos, 24,8% moravam com filhos ou parentes, 24,9% viviam com seus cônjuges, mas sem filhos, e 37,9% moravam com os cônjuges e com filhos ou outros parentes. Quase 65% dos idosos eram a pessoa de referência de suas famílias. No Paraná o percentual é praticamente igual, 64,2%.

Assim como em 2001, a pesquisa revelou que, em 2002, a proporção de aposentados homens foi maior do que a de mulheres (45,8%), resultado da recente inserção destas no mercado de trabalho. (LM e agências)

Reduzida mortalidade infantil

Um dos dados mais significativos da pesquisa é a redução da mortalidade infantil no Brasil em uma década. O País teve uma redução de 35% neste índice. Em 1992, eram registrados 42,6 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos, número que, em 2002, caiu para 27,8 por mil nascidos vivos. A região Nordeste é a que teve a redução mais significativa: 37%. Na região Sul o índice de mortalidade infantil é de 17,9 óbitos por mil nascimentos. No Paraná são 20,7 óbitos por mil crianças nascidas.

O IBGE chama a atenção para a importância da educação da mãe quando se fala de mortalidade infantil. A pesquisa mostra que filhos de mulheres com até três anos de estudo têm 2,5 vezes mais risco de morrer antes dos cinco anos do que os de mulheres com oito anos ou mais de estudo. No País todo, a taxa de mortalidade foi de 49,3 mortos para cada mil nascidos vivos para crianças cujas mães tinham até três anos de estudo. No grupo em que as mães tinham oito anos ou mais de estudo, a taxa foi de 20, uma diferença de 147%. (LM e agências)

Educação avança na última década

A pesquisa do IBGE mostra avanços do País na área da educação. A diminuição da taxa de analfabetismo e a universalização do acesso à escola entre as crianças de 7 a 14 anos são os dados mais significativos. Embora o País ainda contasse, em 2002, com 14,6 milhões de analfabetos, número que equivale a 11,8% da população de 15 anos de idade ou mais, os números do IBGE mostram um declínio significativo nas taxas.

Em 1992, esta taxa era de 17,2%, o que mostra um declínio de quase 30% em dez anos. A disparidade entre as regiões, no entanto, aparece também neste caso. Norte (18,3%) e Nordeste (28,3%) apresentaram taxas menores do que a média nacional.

No Paraná, o número de analfabetos é menor que a média brasileira, apenas 7,9%. Entretanto, as mulheres paranaenses têm menos acesso ao estudo. Enquanto no Brasil a divisão entre analfabetos homens e mulheres é praticamente igual, no Paraná, 6,4% dos homens são analfabetos contra 9,3% das mulheres.

Diferença

A diferenciação provocada pela renda familiar fica mais clara quando se analisa a média de anos de estudo da população adulta. Enquanto os 20% mais pobres têm, em média, 3,4 anos de estudo, os 20% mais ricos têm uma média de 10,3 anos.

O Nordeste é a região brasileira em que a chamada defasagem escolar – o atraso em relação à série que o aluno deveria estar cursando – é mais séria. Há também uma elevação do índice quando a idade é maior. (LM e agências)

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