Outubro é mês de festa em Santa Catarina: Fenachop de Joinville, Fenarreco de Brusque, Kegelfest de Rio do Sul, Tirolerfest, de Treze Tílias, Fenaostra de Floripa e a grande – a insuperável Oktoberfest de Blumenau.

Aliás, para mim, Blumenau é uma festa. A segunda cervejada do mundo que só perde para Munique, onde eu tive a oportunidade de derrubar 150 tulipas em 15 dias, quando lá fui a convite da bundespressen, dirigida, então, por um brasileiro – de Blumenau! – o dr. Kützner.

Em Munique, as louras geladas, todas de pequenas fábricas, controladas rigidamente, são insuperáveis. Não dão azia, nem deixam ninguém muito tonto.

Mas Blu não é só cerveja. Com uma arquitetura de cartão postal, exibe Enxaimel que nem na Alemanha existe. Suas vitrines de lojas de cristais parecem galerias d?arte. E dá vontade de ficar se enrolando e ronronando em roupões, toalhas felpudas e cobertores de suas têxteis, as melhores do mundo.

E a comida é de babar: marreco recheado com repolho roxo levemente adocicado com cravo e canela, joelho de porco com chucrute, carnes de javali, sobremesas de amoras silvestres.

Em termos culturais, além do dr. Blumenau, a grande figura histórica da cidade foi o grande cientista Fritz Müller, o único “brasileiro” citado por Charles Darwin no clássico dos clássicos A Origem das Espécies. Lá está a sua notável coleção de insetos e animaizinhos empalhados, que atrai gente de todo o planeta. Para quem gosta de natureza sem ser ecochato, o Parque Spitzokopf é um paraíso da Mata Atlântica em plena civilização, com cascatas e trilhas.

Técnicas vidreiras de coloração com pó e grânulo, hoje utilizadas nas matrizes tchecas, podem ser vistas em Blumenau como se estivéssemos em plena Idade Média.

No mundo de hoje, o turismo caminha em direção à preservação cultural e histórica. A grande cidade do Vale acertou em cheio ao desenvolver seu marketing em função da cultura germânica. O próprio turismo de eventos dependerá cada vez mais dessa raiz cultural. Além de tudo é uma cidade mui bem administrada, limpa, bonita, valorizando a rua central que é a vitrine de qualquer urbe.

Debruçada sobre o Rio Itajaí Açu – o rio que imita o Reno – conta com excelente infra-estrutura de hotéis, ambiente de paz, sem violências arrabaleras, com várias opções de lazer, gente educada, mulheres bonitas, shoppings de 1.º mundo. Blumenau cada vez mais será um dos fulcros de atração turística em Santa Catarina. Até por manter características originais dos tempos da colonização. Prosit!

Ernest Hemingway, cada vez menos lido, foi quem disse que “Paris era uma festa”. Mas como a França está muito chata, depois que a nova direita burra invadiu os nossos Café de Flore, Deux-Magots e Brasserie Lipp – festa mesmo é Blumenau, Santa Catarina, Brasil. Onde o chope desce mais redondo. Prosit!