Luiz Felipe Bergmann: “Dos 138
auditores, cem trabalham na rua”.

Os 138 auditores fiscais das delegacias regionais do Trabalho (DRT) em todo o Paraná realizaram, ontem, paralisação de um dia. Eles reivindicaram mais segurança durante as atividades, principalmente depois da morte de quatro fiscais em Unaí (MG), que investigavam irregularidades em fazendas da região. Os auditores também querem condições de trabalho adequadas e maior número de pessoas na fiscalização. Para eles, essas deficiências foram os motivos dos assassinatos dos colegas.

Os auditores só conseguem averiguar menos da metade das 700 denúncias que a DRT recebe por mês. Para efetuar esses e outros serviços, como requisições dos ministérios Público e do Trabalho, os fiscais têm à disposição cinco caminhonetes em todo o Estado. “Por causa desses fatores, as fiscalizações ocorrem esporadicamente. Quando o empresário recebe um fiscal, acha que é retaliação pessoal, o que gera ameaças e agressões”, explica Luiz Felipe Bergmann, presidente da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho no Paraná. Dos 138 auditores, 100 trabalham na rua, tendo de cuidar de 150 mil empresas instaladas no Estado.

Outro problema é o estabelecimento de metas por parte do Ministério do Trabalho. O objetivo é registrar onze mil trabalhadores rurais no Paraná. “Não tem como fazer isso com a falta de estrutura e pessoal”, diz Bergmann. Caso os funcionários cumpram totalmente essa meta, eles receberão um benefício de 2,5% no salário.

De acordo com ele, as ameaças durante as fiscalizações fazem parte da rotina de trabalho. “Até agora não aconteceu nenhuma morte no Paraná”, afirma. “Mas nós nunca sabemos o que iremos encontrar quando fazemos uma fiscalização”, pondera.

Bergmann foi alvo de uma dessas agressões físicas, quando foi barrado à força na porta de uma empresa. Ele precisou voltar com proteção policial. Essa é outra reivindicação dos auditores: mais estrutura para avaliar os riscos de uma denúncia. “Nós temos direito à proteção policial, mas às vezes a própria polícia não tem como nos atender”, revela o presidente da associação. Alguns setores oferecem perigo aos fiscais, como as propriedades rurais, áreas de reflorestamento e combate ao trabalho infantil, principalmente a prostituição. “Precisamos ir até os prostíbulos, que normalmente são redutos de criminosos e traficantes, sem força policial”, afirma.