Um grupo de ativistas do Greenpeace voltou a impedir o carregamento de soja no Porto de Paranaguá. O alvo é o navio Global Wind, que veio da Argentina carregado com 30 mil toneladas de soja transgência e pretendia carregar outras 10 toneladas de soja convencional, antes de partir para a Turquia. Integrantes do Greenpeace bloquearam o shiploader (equipamento que faz a transferência da soja do porto para o navio), impedindo o início do carregamento.

A ação aconteceu por volta das 23h40 de sexta-feira, e os ativistas garantem que não irão permitir o carregamento. O Global Wind é o mesmo navio no qual os ativistas se acorrentaram no início da semana passada, também com o intuito de não permitir o recebimento da carga.

Segundo a coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Mariana Paoli, a ação tem o objetivo de impedir a contaminação da soja estocada em Paranaguá com o produto geneticamente modificado que está no navio. “O Paraná tem uma política definida em relação aos transgênicos e não é justo que isso seja prejudicado”, argumenta Mariana. Segundo ela, o governo federal está sendo omisso em relação aos organismos geneticamente modificados que estão sendo comercializados pelo País.

O Greenpeace encaminhou uma carta de reivindicações a diversos órgãos federais – incluindo a Casa Civil e a Presidência da República – pedindo providências sobre o assunto. Entre as solicitações está a proibição de realizar nos portos do Brasil o top loading (operação para completar a carga), já que isso compromete a qualidade da carga. Outro pedido é que o governo federal apoie os esforços do Paraná em manter o controle da soja convencional. “É fundamental que a União proteja os interesse econômicos da maioria dos agricultores brasileiros que não plantaram transgênicos e garanta as vantagens comerciais do nosso País de não produzir transgênicos”, diz Mariana. Além disso, querem uma efetiva fiscalização nos produtos e rotulagem de exportação. Até ontem, o Greenpeace não havia recebido respostas.