Relembrando o dia do trabalhador rural que será comemorado nesta quarta-feira (25), os trabalhadores assentados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), iniciam nesta terça (24), mobilização em várias agências do Banco do Brasil no Paraná, para cobrar agilidade na Reforma Agrária.

A mobilização acontece durante a semana em todo país. No Estado cerca de 5.000 famílias assentadas realizam protestos nas agências bancárias dos municípios de Manuel Ribas, Pitanga, Querência do Norte, Tamarana, Londrina, Apucarana, Lapa, Telemaco Borba, Tibagi, Rio Bonito do Iguaçú, Quedas do Iguaçú, Piabiru, Santa Cecília do Pavão e Palmital.

Os assentados reivindicam a renegociação de dividas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), infra-estrutura nos assentamentos para o escoamento da produção, um programa para a construção de agroindústrias, que contribua na agregação de valor da produção das famílias assentadas e assistência técnica aos assentados no Estado. Além do fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com a criação de uma política pública de segurança para os produtos que estão em crise. Os assentados
querem que o governo federal crie uma política que compre 70% da produção de cada família, daqueles produtos desvalorizados no mercado, com preço de 30% acima do custo de produção, o que é garantido por lei, mas ainda não está sendo cumprido pelo governo. Os agricultores também reivindicam a inclusão do PAA no Programa Plurianual (PPA), que inicia em 2008 e vai até 2011.

Há mais de um ano e seis meses que as 17 mil famílias assentadas do Paraná se encontram em completo estado de "abandono", sem assistência técnica. Muitas não conseguem acessar créditos agrícolas, devido a falta de laudos técnicos e assistência para elaboração de projetos de custeio, cuja safra se inicia no próximo mês de agosto.

A moblização também é contra o descaso á agricultura camponesa no Brasil. Segundo, o integrante do Setor de Produção do MST, Jaime Coelho, enquanto o governo federal gastou R$ 2,8 bilhões na compra de soja dos grandes fazendeiros em 2006, empregou apenas R$ 300 milhões para compra da produção dos pequenos agricultores pelo PAA, em todo país, no mesmo período.

Atualmente, ainda existem no Paraná 7.000 famílias acampadas, em beiras de estradas e latifúndios improdutivos a espera da reforma agrária.