Um lixão abandonado em Campo Mourão, no interior do Estado, está sendo recuperado com uma simples idéia: utilizar o lodo do esgoto, um material orgânico rico em metais essenciais, na plantação de árvores a fim dar uma nova vida em áreas degradadas.

O gestor ambiental da Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar) em Campo Mourão, Roberto Ragazzi, conta que o projeto surgiu em uma parceria com um colega durante um curso de tecnologia ambiental. As experiências profissionais deles serviram como base para descobrir formas de recuperar o lixão. “Estamos em um momento crítico sobre o destino dos lixões. O Nilson André Toneti (parceiro no projeto) teve a idéia do local e eu lembrei do lodo, que não era aproveitado para nada e jogado em aterros sanitários”, comenta. O material orgânico é o resíduo final do tratamento do esgoto. “A intenção era fazer experiências para descobrir a fertilização do lodo, se ele permitiria o desenvolvimento de plantas na recuperação de áreas degradadas”, explica.

As árvores estão sendo plantadas em cima do lixo porque, na época em que o aterro foi desativado, os responsáveis não seguiram as normas técnicas de saneamento (compactação do lixo, cobertura com terra, entre outras). “Há muito lixo na superfície e pouca terra. Em alguns locais, o próprio lodo serviu como solo”, indica Ragazzi. De acordo com ele, as árvores estão sendo criadas em condições adversas. “O plástico criou uma barreira, pois não deixa a água da chuva penetrar na terra e contribui para a perda rápida de umidade nos dias secos”, esclarece.

As experiências iniciaram em junho do ano passado com a plantação de 1,2 mil mudas de seis espécies diferentes de árvores – Loro Pardo, Paineira, Cerejeira, Aroeira Pimenteira, Angico Vermelho e Bracatinga de Campo Mourão -, todas encontradas na região. Uma área de 14,4 mil metros quadrados foi dividida em sete canteiros com quatro repartições. Em cada uma foi colocada uma quantidade diferente de lodo (0, 5, 10 e 20 litros). “Nós chegamos à conclusão que quanto mais lodo, melhor desenvolvimento da árvore. Elas estão crescendo muito bem”, avalia Ragazzi. “O lodo é um material orgânico em abundância e uma ótima matéria-prima.”

O projeto do gestor ambiental está concorrendo ao Prêmio SuperEcologia 2004, uma iniciativa da revista Superinteressante em premiar trabalhos na área ambiental. Os vencedores serão divulgados no final do mês de junho.