Foto: Aliocha Maurício/O Estado

Pintura de sinalização do local foi um dos últimos ajustes realizados.

Nada de solenidade, presença do presidente da República ou autoridades. A ponte sobre a represa do Capivari, na BR-116, será reaberta hoje, a partir das 15h, liberando o trânsito interrompido há um ano, dois meses e cinco dias. A entrega da obra pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) se traduz na normalização do fluxo no trecho do município de Campina Grande do Sul, parte do trajeto da Régis Bittencourt, principal rodovia de ligação do Sul do Brasil com São Paulo.

A previsão inicial da entrega era agosto de 2005, porém alguns problemas acabaram retardando as obras. Para a última terça-feira, chegou-se a marcar uma solenidade de inauguração com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, as chuvas impediram o toque final: a pintura da sinalização, adiando para hoje a reabertura.

A interrupção do fluxo no local foi ocasionada pelo desabamento de parte da estrutura no dia 25 de janeiro do ano passado. No acidente, um caminhoneiro perdeu a vida, quando o veículo que dirigia caiu da parte da ponte que cedeu. Segundo a conclusão de laudos sobre o acidente, toneladas de terra escorregaram contra os pilares 8 e 9, provocando seu desequilíbrio e ruptura. Em conseqüência, dois vãos da ponte, de 40 metros cada, caíram na represa, abrindo um grande buraco. O deslizamento aconteceu devido às fortes chuvas que caíram na região no verão de 2005. Pouco antes da ocorrência, o engenheiro responsável pela região, Ronaldo Jares, havia alertado o DNIT sobre a urgência das obras no local. Porém a catastrófe aconteceu antes que alguma intervenção fosse feita, custando ao cofre federal R$ 29 milhões.

Segundo o coordenador do DNIT no Paraná, David Gouvêa, o primeiro desafio após o acidente foi manter o tráfego utilizando a ponte no sentido Sul. ?Foi necessário um grande esforço de engenharia para evitar o fechamento total da rodovia?, disse o engenheiro. O grande temor era o risco no aterro da cabeceira norte da ponte alternativa, que passou a receber o fluxo em mão dupla. Com a transferência do fluxo, deu-se início à fase de projeto e reconstrução da ponte, que ganhou 40 metros a mais de comprimento, levando-a a terreno firme.

Antes do início da intervenção, porém, foram necessários quase dois meses de espera para a descida da represa, que estava acima da cota de trabalho. Uma vez iniciadas as obras, foi o clima instável que passou a atrapalhar os trabalhos. A demora na liberação do tráfego foi tanta que caminhoneiros ligados à Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar) e à Federação Nacional dos Caminhoneiros Autônomos (Fenacam) chegaram a fazer um grande protesto no local quando o acidente completou um ano, em 25 de janeiro. Além de cantarem os parabéns, serviram bolo de aniversário, em uma crítica irônica à manutenção da interrupção do fluxo. Agora, ele finalmente será restabelecido.