Foto: Walter Alves
Este tipo de manejo havia sido proibido devido à estiagem.

?Enquanto o mundo luta contra o aquecimento global, o governo do Estado autoriza queimadas. O que adianta incentivar o uso do álcool como combustível para diminuir a poluição atmosférica se já está poluindo lá no campo?? O questionamento é da presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), Lídia Lucaski, que é contra a permissão de queimadas controladas no Paraná.

O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vitor Hugo Burko, assinou uma resolução no final de fevereiro autorizando o uso do fogo controlado. Essa forma de manejo havia sido proibida ano passado pelo ex-presidente do IAP e atual secretário de Estado do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, em função do período de estiagem. Burko justificou em entrevista a O Estado na última sexta-feira que autorizou ?porque os cultivos de cana-de-açúcar e bracatinga precisam do fogo para continuar produzindo?.

A ambientalista critica a medida porque ?o uso do fogo libera gases na atmosfera prejudiciais à camada de ozônio?. ?São gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global?, criticou. Lídia critica a capacidade administrativa de Burko como presidente do IAP e reclama que essas decisões são tomadas sem consulta prévia aos conselhos ambientais. ?Só falta ele dar gasolina e fósforo para as pessoas?, disparou.

O agrônomo especialista em gestão de manejo de florestas José Paulo Loureiro também critica o uso da queima controlada com o mesmo argumento de que enquanto se incentiva o uso do álcool como combustível menos poluidor, usa-se o fogo no campo. ?Isso não faz mais sentido. Outros estados estão estabelecendo metas para acabar com o uso desse manejo e o Paraná volta atrás?, afirmou.

Segundo o agrônomo, o fogo é usado porque os proprietários dos canaviais pagam aos cortadores de cana por empreitada, o que exige que a colheita seja rápida. Então em vez de usaram maquinário ou fazerem a limpeza manual, colocam fogo para limpar e, além de poluir, matam a fauna. Quanto à bracatinga, o agrônomo explica que de fato é preciso o uso da queima controlada, mas explicou que é fogo rápido.