A aula de uma turma da 7ª série do Colégio Estadual Tiradentes, no centro de Curitiba, nesta quinta-feira (29) foi na rua, junto com mais de 200 alunos. A intenção dos professores, alunos e funcionários, foi protestar contra o fechamento do colégio, que está na lista junto com outras 39 escolas, que podem fechar em 2016, segundo avaliação da Secretaria de Estado de Educação (Seed).

A situação das escolas ainda não foi definida. O governo deve decidir o futuro dos colégios até o final de novembro, depois de consulta às comunidades e aos gestores locais, mas a preocupação é geral.

Na manhã desta quinta, pelo menos 200 alunos do Tiradentes se organizaram e protestaram, por pelo menos uma hora, em frente ao colégio. Além disso, a turma da 7ª série ficou para o lado de fora, demonstrando que os alunos serão despejados caso a escola feche.

“A explicação que nos veio até agora, é de que todos nós teremos que sair daqui e teremos que ir para outras escolas”, disse Dario Zocche, o diretor do colégio. Para o Tiradentes, virão os alunos do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA) Poty Lazarotto.

O Colégio Tiradentes, que tem mais de 120 anos de existência, abriga hoje mais de 600 alunos do ensino fundamental ao EJA (Educação de Jovens e Adultos). “Nós não podemos deixar de existir, principalmente pela importância que nossa escola tem para a história do Estado”, lamentou o diretor.

Além disso, segundo o diretor, o colégio (nome e o prédio) é um patrimônio tombado. “Existe uma lei que inclusive proíbe que o nome da escola seja mudado”, explicou. No Tiradentes estudam crianças, jovens e adultos que moram em Curitiba, mas também gente que escolheu o local pela qualidade do ensino.

“Venho todos os dias de Almirante Tamandaré, porque na minha cidade não quero estudar. Gosto do ensino que tenho no Tiradentes e não quero ter que ser obrigado a estudar em outro colégio”, disse um dos estudantes, de 13 anos. Além dos alunos e de toda a equipe do Tiradentes, a manifestação também teve apoio de ex-alunos, que indignados criticaram veementemente o atual governo do Estado.

“O que parece é que o nosso governador está agindo como vingança contra os professores. Ele não tem nada de democrático, não valoriza nem a educação que teve”, desabafou Hussein Taha, de 34 anos, que estudou no colégio nos anos 90.

As manifestações como a desta quinta devem ser feitos até que o governo tome uma providência que faça com que os alunos não precisem deixar o Tiradentes. “As aulas na calçada vão continuar. Não vamos permitir que a nossa história seja apagada”, disse o diretor da escola.

Foto: Aliocha Mauricio.

Tarumã

No começo da manhã desta quinta-feira (29), a comunidade escolar da Escola Nossa Senhora de Fátima, no Tarumã, também foi às em protesto. Todos fecharam a Avenida Vítor Ferreira do Amaral, em um ato que começou por volta das 7h e durou até por volta das 8h. O motivo do protesto foi o mesmo e os estudantes pediram ainda a saída do governador Beto Richa.

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