Alunos questionam ações do Pró Jovem

Estudantes de escolas municipais de Curitiba reivindicam uma explicação do governo com relação ao funcionamento do programa Pró Jovem, subsidiado pelo Ministério da Educação (MEC), e aplicado nos municípios por meio das secretarias municipais de Educação. Os alunos – que com o programa têm direito a um benefício de R$ 100 – não estão tendo acesso aos cursos profissionalizantes que fazem parte do currículo do Pró Jovem e denunciam que as bolsas auxílio não estão sendo distribuídas regularmente.  

É o caso de Mariana, que estuda no Colégio Sadi de Souza. Com mais de vinte anos, ela deixou a Educação de Jovens e Adultos (EJA) para cursar a oitava série no ensino regular por causa do programa, que é direcionado a alunos entre 18 e 24 anos que necessitem terminar o ensino fundamental. ?Meu principal interesse era o curso profissionalizante, mas, desde fevereiro, quando iniciaram as aulas, só ouvimos promessas de que no próximo mês o curso iria começar. Até agora, nada?, reivindica a aluna. A esperança de aprender uma profissão dentro de uma das quatro áreas delimitadas no programa – telemática, alimentação, metalmecânica e construção civil – termina daqui a quatro meses, quando a inscrição de Mariana no Pró Jovem completa um ano.

A estudante Aline, do colégio Clàudio Abramo, no Capão Raso, que se inscreveu no programa em julho passado, também reclama que a turma ainda não tem expectativas de quando o curso irá começar. ?Até agora não estamos tendo o curso profissionalizante. Além disso, a ação comunitária prevista no programa, na nossa opinião, não está sendo feita como deveria?, afirma. A expectativa dos alunos de ajudar pessoas carentes nos bairros onde estudam e ir a orfanatos é substituída, de acordo com as estudantes, por feiras de ciências e apresentações culturais no âmbito da escola, somente. ?A gente esperava auxiliar quem realmente precisa.?

Atraso

A assessoria de imprensa do MEC informou que a supervisão do Pró Jovem em Brasília já havia identificado alguns problemas com relação à qualificação profissional incluída no currículo do programa em Curitiba. O MEC teria inclusive notificado o município a resolvê-las. Segundo a assessoria, todos os recursos necessários já foram repassados à Prefeitura, que deve se responsabilizar pelas aulas.

O superintendente executivo da Secretaria Municipal de Educação, Jorge Wekellin, justifica a demora na implantação dos cursos por causa da procura por uma instituição que possa aplicá-los. ?Levamos tempo buscando entidades sérias, que desenvolvam um trabalho de qualidade, como Sesi e Senac, mas não foi possível fechar parceria. Agora já alinhávamos uma negociação com o IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade)?, afirma Wekellin, ressaltando que os trâmites jurídicos estão sendo providenciados.

Ele garante que, para compensar o tempo, a qualificação vai ser mais intensiva. ?Vamos cumprir a carga horária que exige o programa, nem que tenhamos de estender o tempo do curso. Os alunos não terão prejuízos.? Com relação à distribuição das bolsas, o superintendente observa que o repasse é feito diretamente pelo MEC. O ministério exige presença em pelo menos 75% das aulas e quantidade equivalente em trabalhos entregues. O recebimento é suspenso caso as metas não sejam cumpridas. E quanto às ações sociais, Wekellin alega que não se resumirão a atividades internas nas escolas. ?Há várias modalidades de ação social que poderão ser programadas ao longo do curso.? Segundo ele, algumas turmas já participaram de trabalhos externos e o fato de os mesmos não terem sido feitos com outros estudantes não impede que sejam cumpridos até o término do programa. 

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