Alunos de escola pública ultrapassam cota na UFPR

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Calouros foram recepcionados
com festa e banho de lama.

O sistema de cotas, que beneficia afro-descendentes e alunos de escolas públicas, está democratizando o acesso ao ensino superior. A avaliação foi feita ontem pelo reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Moreira Junior, durante a divulgação do resultado do vestibular 2005. Segundo ele, alunos que nunca puderam fazer um curso superior estão tendo a oportunidade agora. A matrícula para os 4.167 calouros começa no dia 27 deste mês e vai até dois de fevereiro.

Os alunos de escolas públicas conseguiram preencher os 20% das vagas destinadas em todos os cursos. Em 23 deles ultrapassaram a porcentagem por mérito próprio. Mas entre os negros, nem todas as vagas foram ocupadas. As que sobraram foram destinadas à concorrência geral. Das 831 vagas ofertadas, 573 foram preenchidas.

Mesmo assim, o reitor afirma que o perfil dos alunos da universidade está mudando devido ao sistema de cotas. Um dos fatores que revela isto é a idade dos novos alunos. Entre a concorrência geral, apenas 22% têm mais de 21 anos. Entre os estudantes de escolas públicas, este índice sobe para 33,6% e, entre negros, vai para 37,9%. "Isso demostra que estas pessoas vinham tentando entrar na instituição há mais tempo", comenta.

A escolaridade dos pais é um dos fatores decisivos para o sucesso dos alunos. Entre a concorrência geral, apenas 7% tinham o pai com a instrução fundamental incompleta e entre os alunos de escola pública, por exemplo, o número sobe para 29,7%. Também foi verificado entre os cotistas que a renda familiar de quase 40% deles não ultrapassava R$ 1 mil e um quarto começou a trabalhar antes dos 16 anos.

O sistema de cotas também ampliou o acesso de alunos da Região Metropolitana. Na concorrência geral, 6,4% dos aprovados se encaixam no perfil. Já entre os estudantes de escolas públicas, passa para 21,2% e entre negros, 16,6%.

Este ano 44.727 candidatos concorreram ao vestibular. Segundo Moreira Júnior, o vestibular em duas fases foi aprovado e vai permanecer. "A primeira fase separou bem as pessoas que tinham condições de freqüentar o ensino superior das que ainda não estão preparadas", fala. Já o sistema de cotas está previsto para durar dez anos.

A festa

O resultado do vestibular foi divulgado no Centro Politécnico e os calouros foram recebidos com música e muita lama. Enquanto alguns comemoravam a vitória, outros não conseguiam esconder a decepção. Giovana Moraes Sezin, 17 anos, conquistou vaga no curso de Jornalismo, um dos mais concorridos. "Foi difícil. Eu estudei o ano todo. É maravilhoso passar", afirmou.

Rodolfo Júnior Souza, 17 anos, passou em Engenharia Elétrica. Conta que não estudou tanto assim, mas as provas estavam fáceis. No entanto, não tinha certeza que conseguiria uma vaga, com medo do seu desempenho em Português. "Não tinha certeza se tinha ido bem em redação."

O banho de lama não foi exclusividade dos calouros. José Carlos de Mattos, pai da estudante Silvana Gegella de Mattos, que passou em Matemática, soube do resultado no trabalho e foi cumprimentar a filha. A camisa branca e a gravata cheias de lama simbolizavam a vitória. "Um abraço desse é bem vindo. É o resultado de um trabalho que é feito desde que ela era pequena", comenta.

Mas nem tudo era alegria. A estudante Maria Helloiza Azevedo, 17 anos, tentava vaga em Enfermagem. Tomou banho de lama mesmo sem ter passado. "Fiquei chateada, acertei a metade da prova nas duas fases. Se tivesse me esforçado mais um pouquinho, teria conseguido", lamentou.

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