Os alunos cuidam de 90 mil metros quadrados.

Cada vez mais, as pessoas portadoras de necessidades especiais ganham espaço no mercado de trabalho e mostram que dão conta do recado. Há pouco mais de um mês, dez alunos da Apae-Rural (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Araucária estão responsáveis pela jardinagem de uma área de 90 mil metros quadrados da empresa Cisa-CSN, que está em fase de instalação na cidade.

Este é o segundo trabalho de Adriano do Carmo da Silva, de 17 anos, como jardineiro. A primeira experiência aconteceu quando cuidou dos jardins de outra empresa. Entre o último serviço e o atual, ficou seis meses parado. Não gostou da experiência. “Eu ficava em casa sem fazer nada”, explica. Ele diz que agora dá para comprar roupas e ajudar a mãe.

Jefferson Padilha Ferreira, 19, vive a mesma situação. Ele ficou muito feliz com a oportunidade de trabalhar como jardineiro. O salário que ganha dá para ajudar em casa e ter uma vida melhor. Quando vencer o contrato entre a Apae e a empresa, deseja continuar atuando nessa atividade, embora diga que também gostou dos outros cursos que fez na escola onde estuda, de informática de pintura.

A coordenadora de Meio Ambiente da Cisa, Maria Alice Mello Miranda, conta que os meninos desempenham suas atividades como qualquer outro funcionário. Os alunos foram divididos em dois grupos. Enquanto uns estudam, os outros estão trabalhando e vice-versa. Cada um ganha um salário mínimo. “Percebemos que, tanto para a família quanto para os alunos, o trabalho é importante porque eles se sentem cidadãos, geradores do seu sustento e que estão conquistando seu espaço na sociedade”, afirma a diretora da Apae-Rural, Josélia Lebrecht.

Graças às parcerias, a Apae tem conseguido oferecer diversos cursos de especialização para os jovens. Eles aprendem a fabricar geléias, doces, bolos e produtos artesanais. A produção é vendida no comércio local e o lucro é revertido para a instituição.