O paranaense Charles Reis Ribeiro, de 15 anos, passou nos vestibulares da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Estado, no curso de Ciência da Computação, mas não deverá cursar a graduação. Identificado como "superdotado", Charles está no primeiro ano do ensino médio e, se quiser se matricular, terá de entrar com uma ação na Justiça, pois tanto a UFPR como a PUC exigem a conclusão do ensino médio para fazer a matrícula, que se encerra dia 28, no caso da federal.

Segundo a mãe dele, Fátima Mendes Ribeiro, o ideal seria ir para a faculdade, mas, diante das dificuldades, será melhor esperar o tempo certo. "Seria muito bom que ele entrasse na faculdade, mas existem essas questões de que ele está muito adiantado; então, vamos esperar um pouco", afirmou.

Para Fátima, a aprovação de Charles não provocou tanta surpresa. "Desde os 3 anos, ele dá mostra que é muito inteligente. Sempre teve facilidade para aprender e tem uma curiosidade muito grande", disse ela, que imaginou que o filho fizesse vestibular para engenharia. "Eu sei que ele gosta bastante de engenharia, não imaginei que ele fizesse prova de computação", disse.

Charles, que é filho único e mora com a mãe no bairro Sítio Cercado (periferia de Curitiba), disse que não perdeu horas de sono para fazer as provas. "Não fiz nenhum estudo específico, apenas utilizei os conhecimentos que conquistei na sala de aula. Fiquei muito feliz com isso, mas lamento que não poderei entrar direto; antes, vou completar o ensino médio", afirmou.

Estudos

Na opinião do estudante, o fato de passar no exame vestibular tão jovem também não provocará nenhuma dificuldade na vida. "Vou continuar meus estudos, normalmente, e manter essa vontade de aprender bastante", afirmou. Charles estuda no Colégio Bom Jesus e faz parte do Programa Bom Aluno, mantido pela empresa BS Colway, que custeia o ensino médio, graduação e pós-graduação de diversos jovens. Segundo a coordenadora do programa, Zânia Diorio, a aprovação do aluno trouxe um incentivo muito grande ao projeto. "Foi uma conquista muito grande, não só para ele, mas todos nós que estamos envolvidos no projeto. O Charles sempre demonstrou vontade de conhecimento e nós o incentivamos bastante inclusive no aprendizado de línguas estrangeiras (Charles fala inglês e alemão)", concluiu.