Uma descoberta revoltou alunos e pais de estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar Erico Verissimo, em Cambé, no Norte do Paraná. Dispositivos de gravação foram encontrados dentro do banheiro da instituição nesta terça-feira (20), gerando uma onda de protestos por parte da comunidade escolar.
De acordo com relatos dos estudantes, a suspeita começou após uma aluna notar uma luz vermelha emitida por um aparelho fixado na parede. Ao verificar de perto, percebeu que a carcaça de plástico, que a direção afirmava há anos ser um simples sensor de fumaça, escondia na verdade uma câmera em pleno funcionamento.
O caso indignou os estudantes, que realizaram manifestações na porta da escola cobrando respostas. A principal preocupação das famílias é saber quem tinha acesso às imagens gravadas e se o alcance da lente captava a intimidade das cabines e trocas de roupa.
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) abriu um inquérito para apurar a situação, identificar os responsáveis pelo monitoramento e averiguar se houve armazenamento ou vazamento do material gravado.
O que diz a SEED-PR
Procurada pela reportagem da Tribuna do Paraná, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) fez uma vistoria realizada nesta quarta-feira (21), e informou que a Resolução nº 5.206/2026 proíbe expressamente a instalação e o uso de câmeras em banheiros e vestiários das instituições de ensino estaduais, incluindo equipamentos externos que captem imagens desses espaços.
Segundo a pasta, o Núcleo Regional de Educação (NRE) esteve na unidade e instaurou uma comissão apuratória para esclarecer as circunstâncias do caso e apontar os encaminhamentos cabíveis. Além disso, uma equipe multiprofissional foi mobilizada para prestar apoio aos alunos e à comunidade escolar.
A Seed-PR reforçou que o descumprimento das regras poderá resultar em apuração de responsabilidades nas esferas administrativa, civil e penal, e destacou que o monitoramento nas escolas deve respeitar a privacidade, a dignidade e a segurança de todos.
