| Concluído a quase dois anos, hospital deverá funcionar entre outubro e novembro. |
Quase dois anos depois de concluída a obra do Hospital e Maternidade Alto Maracanã, em Colombo, o estabelecimento ainda não abriu as portas para a população. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Hélder Luiz Lazarotto, o hospital deve começar a funcionar entre outubro e novembro, graças ao convênio firmado entre a Prefeitura de Colombo e a Pontifícia Universidade Católica (PUC).
No último sábado, a prefeita Bete Pavin assinou o termo de convênio, mas o reitor da PUC, Clemente Ivo Julliato, ainda não o fez pois está viajando, segundo informou a assessoria de imprensa. O novo hospital será especializado no atendimento à mulher, sobretudo gestantes.
A demora em entregar o hospital, explica o secretário Lazarotto, se deve sobretudo à falta de verbas. Só na construção da obra, iniciada em 1999, a Prefeitura de Colombo investiu cerca de R$ 1,1 milhão. Depois de concluída a parte física, passou mais um ano e meio até que a prefeitura equipasse o hospital, o que exigiu gastos de quase R$ 700 mil, segundo o secretário. O município deve repassar ainda R$ 130 mil por mês ao empreendimento.
Reclamações
Quem não gostou da demora é a população de Colombo, carente do atendimento hospitalar. “A Prefeitura diz que está tomando providências, mas as promessas são demoradas”, reclama a professora desempregada Leoni Westphal, de 33 anos, moradora do Alto Maracanã. Ela conta que sofreu um aborto há cerca de um mês. “Tive que ir até Curitiba. Quem sabe eu não teria perdido o meu filho se o hospital já estivesse funcionando?”, suspira Leoni, que estava grávida de dois meses.
A dona de casa Nair Alves da Silva, 53, que mora a poucos metros do hospital, também protesta. “Minha filha vai ganhar o filho em Curitiba, porque aqui não há um hospital direito”, aponta. Segundo ela, os três netos nasceram na capital, pois a família não confia no atendimento do único hospital da cidade, a Santa Casa de Colombo. Para fazer o exame preventivo de câncer do cólo de útero, Nair conta que tem que sair até às 5h da manhã de casa, para conseguir consulta em um posto de saúde. “A região está carente de tudo. Não é só de hospital, mas de ônibus, asfalto nas ruas.”
Para a doméstica Vera Nice do Prado Cândido, 35, o hospital não deve ser aberto tão cedo. Ela critica ainda o investimento feito pela Prefeitura. “Em vez de construir um hospital desse tamanho, ela deveria ter aplicado o dinheiro em postos de saúde e médicos”, sugere. Vera conta que só procura o hospital local em “último caso”. “Moro aqui, mas prefiro os médicos de Curitiba”, revela.
SUS
De acordo com o secretário Lazarotto, pelo menos 80% dos atendimentos feitos pelo novo hospital serão pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A idéia é que ele se torne referência na região”, aponta. Segundo levantamento da prefeitura, entre 250 e 300 mulheres de Colombo apresentam problemas de obstetrícia por mês. Numa primeira etapa, a expectativa é atender cerca de 200 mulheres. A capacidade do hospital é de quinhentos atendimentos por mês, segundo o secretário. Deverão ser contratados três médicos de cada especialidade: obstetrícia, pediatria e anestesia. Serão quarenta leitos com capacidade para mais dez, distribuídos em uma área de 2.150 metros quadrados de área construída.
Segundo o secretário, das quase trezentas crianças que deveriam nascer por mês em Colombo, mais da metade nasce fora do município, principalmente em Curitiba.