ALL trata água usada em lavagem de trens

Na lavagem de locomotivas e vagões de trens, a água utilizada no processo é misturada com óleos presentes nos veículos, ficando totalmente preta. Ela se torna imprópria para ser despejada diretamente na rede de esgoto, pois geraria problemas ecológicos. A solução está no tratamento dessa água e seu reaproveitamento na própria lavagem. Essa foi a tática usada pela América Latina Logística (ALL), que opera a malha ferroviária do Sul do Brasil. Devido a essa prática, a empresa é finalista do prêmio ambiental SuperEcologia, iniciativa da revista Superinteressante.

O gerente de Meio Ambiente e Segurança Industrial da ALL, Durval Nascimento Neto, conta que o líquido final da lavagem dos vagões e das locomotivas contém substâncias fora dos parâmetros ambientais. “O prejuízo para a população perto da empresa seria muito grande se isso acontecesse”, explica. Esse trabalho é realizado desde que a ALL assumiu as atividades da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Mas, no começo de 2004, foram investidos R$ 150 mil na ampliação da estação de tratamento de água. “Usamos cerca de 20 metros cúbicos, mas a estação pode tratar até 60 metros cúbicos de água por hora”, comenta Nascimento. “A qualidade final da água é excelente”, avalia.

O tratamento tem três etapas. A primeira consiste em separar o óleo, que acontece em um tanque dividido em oito partes. Em cada divisão, mais óleo vai sendo retido. Ele é aproveitado por uma empresa terceirizada na produção de graxa após sua recuperação. Depois disso, a água passa por um processo químico. Com polímeros naturais em contato com o líquido, as partículas se juntam e formam uma massa fermentada. Esse resíduo sobe para a superfície, sendo retirado do tanque e encaminhado a um forno para ser queimado. A água, nesse momento, passa pela última etapa, chamada de biológica, na qual todo o sabão é eliminado. Após o processo, praticamente 100% da água volta para a lavagem. “A estação minimiza o uso da água, a geração de resíduos, os custos de tratamento, além da parte ambiental”, esclarece Nascimento.

A estação de tratamento está localizada dentro de um bosque de 16 mil metros quadrados. Nascimento explica que, durante a construção da estação, foi observada uma área abandonada ao lado do estacionamento dos vagões. Esse local abriga o bosque, onde foram plantadas 1,3 mil árvores nativas. Na área há uma sala para educação ambiental, que recebe crianças de escolas da região. Elas também são beneficiadas com visitas, passeios e plantios de árvores.

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