O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e candidato ao Senado, Alexandre Curi (Republicanos), participou, na manhã desta quarta-feira (2), da série de sabatinas promovida pelo programa Café com a Gazeta, da Gazeta do Povo. Entre os temas discutidos, o candidato falou sobre o histórico da aliança com o governador Ratinho Júnior (PSD) e os índices de transparência da Assembleia.

continua após a publicidade

Os entrevistadores iniciaram a discussão questionando Curi sobre sua posição diante das  conversas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. Curi defendeu o afastamento do ministro e apontou demora na atuação do Senado na aprovação de medidas relacionadas à fiscalização do Supremo.

“Todos os poderes têm uma fiscalização interna. O STF tem um órgão interno de regulação, mas não tem um órgão externo”, disse. O candidato também defendeu mudanças na regra para a indicação de ministros. “A partir do momento que mudar a regra de indicação, o presidente escolhe, dentro da magistratura, alguém que fez concurso público: um juiz, um desembargador, um ministro do STJ. Três vagas seriam reunidas de uma lista tríplice da OAB, a ser colocada em votação”, disse. 

Questionado sobre a postura que adotada por ele após o fim da presidência de Ademar Traiano (PSD), Curi afirmou que uma possível punição ou veto relacionado a casos de corrupção, conforme previsto no Código de Ética da Assembleia, extrapolaria as competências do Legislativo.

continua após a publicidade

“Essa é uma matéria eleitoral. Eu não posso desistir de uma matéria federal de proibir quem fez Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) de ser candidato ou participar de uma eleição. Mas nós agimos com rigor… Não tenho compromisso com o erro de ninguém, mas, como presidente do Poder, seria imoral da minha parte não respeitar a lei”, afirmou.

Planos políticos

Antes do registro das candidaturas, Alexandre Curi era cotado para o cargo de governador. Na entrevista, o candidato ao Senado afirmou que havia planejado os últimos anos de sua trajetória política para chegar ao Governo do Paraná, mas foi convencido a disputar uma vaga no Senado diante, segundo ele, da falta de articulação da atual composição de senadores que representam o Estado.

continua após a publicidade

“O governo é um projeto coletivo. Nesse consenso que nós buscamos, nos últimos anos, diferente de Brasília, que vive uma grave crise institucional, aqui no Paraná nós pacificamos os Poderes. Os Poderes são independentes, mas eles têm que viver em harmonia”, afirmou.

Curi também citou conversas com o governador Ratinho Júnior durante a definição da composição política e afirmou que os senadores que representam o Paraná teriam se ausentado de decisões importantes para o Estado.

O deputado citou os embargos para iniciar a Ponte de Guaratuba, a discussão sobre a Malha Sul e a liberação das licenças para as obras da terceira pista do Aeroporto Internacional de Curitiba como exemplos de pautas encabeçadas pelo Executivo, com participação de deputados, mas, segundo ele, sem a presença dos senadores. “O Paraná precisa voltar a ter protagonismo no Senado. Já tivemos, há muitos anos, grandes senadores. Hoje não temos mais”, disse.

Ao responder sobre o legado que pretende deixar como senador, Curi afirmou que pretende ocupar um espaço de maior protagonismo para o Paraná em Brasília. Ao relembrar as vezes em que teve seu nome relacionado aos processos dos Diários Secretos, o candidato citou mudanças implementadas na Alep e afirmou que a Casa se tornou a Assembleia mais transparente do Brasil.

“É um episódio que me deu muita experiência, diferente de outros políticos nesse país. Quando a vida me deu a oportunidade de presidir a Casa, falei: agora eu quero ser cobrado. Agora eu tenho autonomia e tenho que ser cobrado por todos os atos administrativos”, afirmou Curi. A experiência, segundo ele, trouxe competências necessárias para assumir uma postura de senador com capacidade de articulação.

Alianças na composição de governo

Durante a entrevista, Curi também falou sobre a resistência de parte de sua base de campanha, como Rafael Greca (MDB) e Eduardo Pimentel (PSD), à candidatura de Cristina Graeml (PSD) como segundo nome da coligação ao Senado. Além dessa aliança, o deputado comentou a preferência do líder do Republicanos, deputado Pedro Lupion (Republicanos), em apoiar Sergio Moro (PL), em vez de Sandro Alex (PSD).

Em ambos os casos, Curi defendeu o direito de posicionamento individual dos integrantes da base, mas afirmou que as divergências não podem dominar o projeto que a coligação pretende construir no Paraná.

“Para o Paraná, é importante a continuidade dessa paz política, ao lado de um governador municipalista, que prioriza o desenvolvimento, a desburocratização, mas, principalmente, um candidato a governador que tem trabalho pelo Estado, que teve capacidade de tirar grandes obras do papel”, afirmou.

Em resposta à ausência de Sandro Alex nos debates, Curi defendeu que a discussão precisa estar centrada nas políticas públicas, e não apenas em acusações, diante da polarização política do país. “Nós defendemos mudanças, mas o Paraná não pode nacionalizar a sua eleição. A eleição nacional é um debate. Nós queremos debater o Paraná. O debate tem que ser de políticas públicas, e nós queremos debater isso”, afirmou.

Antes de apresentar suas considerações finais, Alexandre Curi respondeu a um jogo rápido de perguntas da sabatina sobre seus posicionamentos. Confira, a seguir, as respostas de Curi ao “Pinga-Fogo”:

  • Voto impresso: a favor
  • Bets: contra
  • Câmeras corporais nos uniformes da polícia: contra
  • Redução da maioridade penal: a favor
  • Legalização do aborto: contra
  • Fim do foro privilegiado: a favor
  • Audiência de custódia: a favor, mas precisam endurecer as penas
  • Fim da escala 6×1: a favor, mas com compensação tributária
  • Teto de gastos: a favor
  • Escolas cívico-militares: a favor
  • Impeachment de ministro: a favor
  • Jair Bolsonaro: bom presidente e muito importante para o Paraná
  • Lula: posições políticas contrárias 
  • Alcolumbre: posições políticas contrárias 
  • Alexandre de Moraes: ninguém está acima da lei; defendo o afastamento até o término
  • André Mendonça: grande ministro
  • 8 de janeiro: completamente nulo; não compete ao Supremo investigar

No encerramento, Curi defendeu que seu papel como senador será construir um modelo de transparência e desburocratização, inspirado na experiência aplicada no Paraná, além de priorizar políticas públicas de educação, saúde e habitação. Segundo o candidato, a atuação deve ser baseada na busca por soluções concretas para a população.

Sabatinas

A Gazeta do Povo promove em seu canal do YouTube uma série de entrevistas com candidatos ao Senado pelos estados do Paraná e de São Paulo. Serão convidados todos os candidatos e candidatas cujos partidos têm representação mínima no Congresso Nacional (ao menos cinco parlamentares eleitos).

As entrevistas terão duração de 45 minutos e ocorrem ao vivo, das 9h15 às 10h, no programa Café com a Gazeta. Além do canal da Gazeta do Povo no YouTube, elas também serão veiculadas no portal de notícias.