Preocupados com a exposição de crianças e adolescentes na internet, pais e professores participaram ontem de uma palestra sobre o assunto na Escola Atuação, em Curitiba. A preocupação é cada vez maior com os jovens que se viciam em computador e acabam se envolvendo em comunidades nada sadias.

A psicóloga Amarilís Cavalcanti da Rocha, que ministrou a palestra, explica que o envolvimento de crianças e adolescentes começa como uma curiosidade, a partir de informações de amigos. Os jovens passam a acessar um mundo imenso de novidades, como o Orkut, que hoje já é muito questionado.

O site tinha a proposta de criar amizades, mas acabou se transformando em um campo perigoso de relacionamentos. ?As crianças e adolescentes já entram com um perfil falso no Orkut, pois a inscrição só é permitida para maiores de 18 anos. O Orkut estabeleceu uma rede sem nenhuma privacidade ou proteção. Outro problema é até a falta de malícia da criança?, argumenta a psicóloga.

Para ela, as comunidades mais perigosas são as preconceituosas, góticas e de suicidas. ?Um adolescente senta sozinho na frente do computador e passa horas ali. Ele prefere ter um contato virtual do que estabelecer relacionamentos. Se estiver chateado ou com raiva, seja qual for o motivo, qualquer um pode responder e orientar. O jovem acaba se sentindo acolhido?, afirma Amarilís.

De acordo com a psicóloga, as comunidades acabam seduzindo os jovens e induzindo comportamentos. Como a criança ou o adolescente são inexperientes, não percebem esta indução. ?Normalmente, entram nessas comunidades os jovens inseguros, tímidos e bronqueados com a família?, aponta.

Tudo isso cria uma rede de vício e de exposição. A psicóloga alerta que essa situação não acontece de uma hora para outra e, por isso, os pais devem prestar muita atenção no cotidiano dos filhos. ?Além de alertar os pais de que isso realmente existe, é preciso que a disciplina, a autoridade e os limites sejam retomados. A família precisa estar junto desde o berço. Não basta apenas amar, tem que ser companheiro, todos os dias. E os pais não podem ter medo de dizer não?, diz Amarilís.