Um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), entre os anos de 1998 e 2003, apontou que quase 400 pessoas morreram no Estado vítimas de intoxicação com agrotóxicos. Desse total, 87% cometeram suicídio, em decorrência de distúrbios no sistema nervoso central. Só neste ano, a Sesa já registrou 146 acidentes causados por esse tipo de produto, e 51 suicídios.

De acordo com a chefe da Divisão de Zoonoses e Intoxicações da Sesa, Gisélia Rúbio, a situação é muito preocupante. Ela comenta que o número de intoxicações deva ser muito maior, pois existe uma subnotificação dos casos. “Algumas vezes o produtor vai ao médico com uma dor de cabeça, ânsia ou mal-estar e o problema não é associado ao uso indevido de veneno”, disse.

Outra situação grave é quanto à falta de orientação sobre o manejo e aplicação desses produtos. Gisélia destaca que muitos agricultores não recebem informações de um técnico ou engenheiro agrônomo, o que aumenta o risco de intoxicação. “O agricultor precisa ter consciência de que cada produto tem uma aplicação indicada, e que o uso de equipamentos de proteção é fundamental. Cabe ao técnico ou engenheiro apresentar alternativas para esse agricultor se proteger”, informou a técnica.

Para ela, é importante também que o produtor procure técnicas alternativas para investir na produção, como a adoção da agricultura orgânica, por exemplo. Ela comenta que os próprios consumidores podem ajudar nesse processo, mudando seu comportamento alimentar, e fazendo com que mais agricultores optem por essa cultura, livre de agrotóxicos. “Se houver uma maior procura, a tendência é a produção aumentar”, disse.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) indicam que o faturamento com a venda de agrotóxicos cresceu 20% no Brasil em 2003. O País também responde por 8% a 10% do consumo mundial desses produtos. Segundo o secretário executivo da CPT, Jelson Oliveira, uma grande preocupação da entidade é em relação ao meio ambiente, principalmente a água. “Sabemos que esses venenos têm materiais pesados, que, atingindo a água, não podem ser retirados”, comentou.

Alternativas

Hoje a entidade vem trabalhando na divulgação de algumas propostas que podem mudar essa realidade. Uma delas, é um projeto de lei que proíbe o uso de agrotóxicos no Estado. Outra é definir de quem é a responsabilidade da fiscalização quanto ao uso e aplicação desses produtos. A CPT também vem estimulando a prática da agroecologia.

Segundo Jelson Oliveira, a entidade acompanha projetos de organizações não governamentais que vêm dando certo. Só na região Centro-Sul do Paraná, quatro mil famílias estão investindo nessa alternativa de cultura. Até um selo de qualidade – Eco Vida – já foi criado para identificar produtos orgânicos. “Podemos dizer que hoje temos dois desafios: a população consumir mais os produtos agroecológicos e, com isso, fazer que o preço caia”, disse.

Serviço – A partir de hoje a CPT estará promovendo em Ponta Grossa a Jornada Paranaense de Agroecologia, que deve reunir cerca de quatro mil pessoas. Durante o evento serão apresentadas experiências bem-sucedidas na área da agricultura e meio ambiente. Quem quiser outras informações sobre o assunto pode ligar para (41) 232-4660. Já para esclarecimentos sobre como agir em casos de intoxicação, tanto de produtos como por animais, o telefone do Centro de Controle de Envenenamento é o 0800-410148.