O professor muitas vezes nem imagina a importância de seus atos e comportamentos na vida de um aluno. Uma pesquisa comprovou que a afetividade interfere no processo de aprendizagem. O estudo mostra ainda que a atuação do professor, como mediador, determina a qualidade da relação que o estudante manterá com a disciplina em questão.
Os resultados desse levantamento estão reunidos no livro Afetividade e práticas pedagógicas, recém-lançado pela Editora Casa do Psicólogo. O trabalho foi feito por um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que por cinco anos verificou a relação entre educador e o aluno. O doutor em Psicologia e professor da Faculdade de Educação da Unicamp, Sérgio Antônio da Silva Leite, afirmou que a relação entre o estudante e o conteúdo escolar não ocorre apenas nas dimensões cognitiva e intelectual, mas também na afetiva, dependendo de como o mediador (professor) se comporta em sala de aula.
"Isso ficou claro na formação do aluno leitor, e explica porque uns adoram e outros detestam a leitura. Como ninguém nasce com um gene para a leitura, isso acaba tendo influência do mediador", falou. Sérgio destacou que essa afetividade não está ligada a uma relação melosa com o alunos, mas sim de respeito e boas práticas pedagógicas.
Teoria x prática
A professora de Psicologia da Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Tania Stoltz, diz que a questão da afetividade sempre está presente no processo da educação, e que ela movimenta a atitude do sujeito no interesse ou não em resolver problemas e desafios. Ela comentou ainda que isso pode ter outros desdobramentos. "Uma questão que pode aparecer também é a transferência, ou seja, o sentimento em relação a pessoas significativas na vida da pessoa que pode ser transferido para o professor, despertando repulsa ou afeto", disse.


