O grupo aguardava comunicação oficial
para deixar o prédio.

A presidência da Fundação Nacional do Índio, em Brasília, decidiu afastar o administrador regional da Funai no Paraná e em Santa Catarina, Getúlio Gomes da Silva e seu adjunto, Brasílio Priprá, para investigar denúncias de irregularidades na gestão do órgão. A decisão foi tomada por solicitação dos próprios índios, que ocuparam o prédio da entidade em Curitiba na quarta-feira de manhã e prometiam ficar no local até que a reivindicação fosse atendida. O presidente da Funai, Mércio Gomes, garantiu que irá promover uma reorganização do órgão no Estado, e o nome do novo representante no Paraná deverá ser escolhido entre os funcionários.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça – ao qual a Funai está vinculada -, uma comissão deverá vir de Brasília para apurar as denúncias feitas pelos índios. Eles acusam Silva e Pripra de atos de improbidade administrativa, além de outras irregularidades, como desvio de verbas e comercialização ilegal de palmito. A presidência da Funai confirmou que já existiam diversas reclamações.

O advogado Carlos de Paula, presidente do Grupo de Apoio aos Povos Oprimidos (Gapo) – e que representa os índios – aprovou a notícia do afastamento dos funcionários, mas informou que não havia recebido comunicado oficial do Ministério da Justiça sobre o afastamento até o fim da tarde. “Sem comunicado oficial, os índios não saem”, enfatizou. “A gente não quer a exoneração. Apenas o afastamento temporário do administrador e do assessor para que sejam feitas as investigações.”

Confronto

Ontem, cerca de trinta índios estavam no prédio. O temor era que houvesse confronto, já que era aguardada a presença de um grupo de índios vindos de Ibirama (SC), que estariam sendo transportados em veículos da Funai para Curitiba, patrocinados pelos dois funcionários denunciados. “Esses funcionários estariam incentivando um confronto armado entre os índios”, disse Paula.

Os índios reclamam que o atual administrador regional da Funai, no cargo há três meses, não conhece os problemas das tribos indígenas. “Ele nunca visitou as aldeias, não conhece nossos problemas, não recebe os índios daqui que precisam de ajuda”, denunciou a vice-presidente do Conselho Nacional de Mulheres Indígenas, Cuulumg Wetxa Téie, de 45 anos, uma das integrantes do grupo que ocupou o prédio da Funai. Os índios que ocuparam o prédio fazem parte das etnias guarani, tupi-guarani, caingangue, chokrem e xucuru-kariris. Em todo o Paraná, vivem cerca de 15 mil índios, espalhados em dezessete aldeias.