Acordo adia prazo para a desocupação de prédio

Os sem-teto que ocupam o prédio do antigo Banestado, no centro de Curitiba, ganharam um novo prazo para deixar o local. Representantes do governo do Estado e lideranças do Movimento Nacional de Luta Pela Moradia (MNLM) se reuniram ontem e firmaram um acordo no qual as famílias terão até amanhã para desocupar o prédio. Na sexta-feira (25) os sem-teto foram informados de uma ordem de reintegração de posse, expedida a favor do Estado, que dava um prazo de até às 18h de ontem para eles deixarem o local.

Os líderes do movimento se reuniram com o chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Segurança Pública, Marcelo Jugend, e ficou acertado que eles irão definir junto com o secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari e direção da Cohapar, o destino das 80 famílias – das quais 40 estão morando no prédio – que esperam por um teto. Segundo Jugend, a secretaria está dando esse prazo porque a intenção do governo é negociar até o fim para evitar conflitos.

O líder do MNLM, Anselmo Schwertner, afirmou que as famílias não podem deixar o prédio “com as mão abanando”. Ele garantiu que a idéia do movimento não é provocar confronto com o governo, mas sim, negociar a questão da moradia. Para Carla Costa, da coordenação estadual do MNLM, o fato do governo dar esse prazo demonstra que existem possibilidades de negociação. Segundo ela, as famílias não descartam a possibilidade de continuarem alojadas no prédio do banco. “Mas tudo vai depender da negociação de segunda”, disse, acrescentando que se isso acontecer, o prédio voltaria a ser um imóvel público.

Alternativa

O prédio do Banestado, na Rua Marechal Deodoro, foi ocupado por um grupo de 40 sem-teto na madrugada do dia 7 de junho. O objetivo principal da categoria, diz Carla Costa, foi chamar a atenção para a falta de uma política habitacional em Curitiba. O MNLM defende a idéia de uma reforma urbana, e são contra a instalação de famílias em áreas longe dos centros urbanos. No início do mês de julho os sem-teto tentaram invadir o prédio da Cohab – Companhia de Habitação de Curitiba – para forçar uma negociação para várias famílias que não têm moradia. A direção da Cohab disse que não poderia negociar com os sem-teto enquanto eles não desocupassem o prédio do banco.

Para Carla Costa, o Banestado é apenas uma das alternativas consideradas pelos sem-teto como opção para a reforma urbana. “10% dos edifícios do centro de Curitiba estão vazios. Isso seria uma alternativa para a própria Cohab, que diz que não tem mais áreas no centro para alocar as famílias”, afirmou.

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