A polêmica envolvendo as barulhentas vuvuzelas

Elas passaram a fazer parte do cotidiano na Copa do Mundo. Amada por uns, odiada por muitos, as barulhentas vuvuzelas estão dando o que falar. Elas acabaram caindo no gosto do torcedor brasileiro e era comum ver alguém devidamente acompanhado desta corneta típica da África do Sul. Nas lojas, elas foram um sucesso de vendas, com uma demanda grande de pedidos.

A promotora de vendas Lucimara Gramazio de Lima recebeu o pedido dos filhos e comprou vuvuzelas para torcer nos jogos do Brasil. “As vuvuzelas não incomodam porque tocam uma, duas, três vezes no jogo ou quando a partida termina em vitória, o que não foi o caso de hoje (ontem)”, afirma.

O filho de Lucimara, André, de 14 anos, ganhou duas vuvuzelas da mãe. “Eu já sabia que existia, mas eu quis mesmo por causa da Copa do Mundo. As vuvuzelas deixam o jogo mais animado”, conta. “Agora, com a saída do Brasil na Copa, eu vou usar as vuvuzelas nos jogos do Coritiba”, garante.

Entretanto, se por um lado a vuvuzela é sinônimo de alegria, é também de preocupação. De acordo com o otorrinolaringologista do Hospital Evangélico e do Instituto de Neurologia de Curitiba, Gustavo Fabiano Nogueira, as pessoas que ficam demasiadamente expostas ao som das vuvuzelas podem estar sujeitas a danos sérios na audição.

“Pode acontecer o que a gente chama de Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair). A pessoa pode ter perda temporária da audição, trauma auditivo agudo, perfuração do tímpano, entre outros”, explica.

O médico conta que isso acontece porque a intensidade do som causada pela vuvuzela é superior a 80 decibéis. “Locais onde há muita concentração da vuvuzela, como nos estádios desta Copa, a intensidade é semelhante a de um trio elétrico (110 decibéis), ou seja, mesmo que uma pessoa assista apenas a um jogo em um estádio onde o som dela é constante, ela corre o risco de criar uma lesão no ouvido. O ideal seria ter um descanso de 20 minutos para cada 40 em que ela é incessantemente tocada. Dá para brincar, desde que com moderação”, recomenda.

A assessoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba (SMMA) informou que não houve fiscalização em bares e restaurantes onde havia presença das vuvuzelas e buzinas, pois, segundo a assessoria, isto não caracteriza poluição sonora e também porque não haveria como impedir a festa da população.

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