Dois anos já se passaram desde o fatídico 11 de setembro: data em que o mundo assistiu, extasiado, à destruição das duas torres gêmeas de Nova York e à destruição parcial do Pentágono. A grandiosidade do fato pode ser expressa em números: foram quase 3 mil mortes, cerca de 5 mil feridos, além de prejuízos que chegaram a US$ 36 bilhões apenas em Nova York. As conseqüências, no entanto, não se restringem somente ao balanço numérico, mas a questões psicológicas. Até hoje, o mundo sente os efeitos dos atentados.
“O mundo está bem pior do que há dois anos”, analisa o professor de Direito Internacional da PUCPR e de Relações Internacionais das Faculdades Curitiba Luiz Alexandre Carta Winter. Segundo ele, estudos mais conservadores apontam que 10 milhões de pessoas no mundo todo vão morrer por conta dos atentados. “Diminuíram os investimentos das empresas americanas. As empresas também ficaram mais seletivas quanto aos locais onde investir”, conta, acrescentando que os EUA detêm 17,85% dos direitos de votos no FMI, e por isso suas decisões influenciam o mundo inteiro.
Também a questão da segurança foi intensificada. “Houve alteração com relação aos vistos. Até mesmo quando os EUA não são o destino, mas apenas a ponte para outro país, é necessário tirar o visto, que encarece em quase US$ 100 a viagem”, diz Winter. Os atentados fizeram ressurgir ainda o critério do controle nas empresas, quanto à nacionalidade das pessoas que a compõem. “Há, inclusive, um controle maior através da internet”, afirma.
Por outro lado, Luiz Winter lembra que a política unilateral adotada pelos EUA é um complicador. “Eles não ratificaram o tratado de proibição de armas bacteriológicas, não fazem parte do Tribunal Penal Internacional ? ou seja, os soldados americanos não podem ser julgados fora dos EUA ?, e ainda há a questão do Tratado de Kiyoto, que os EUA não aceitaram alegando que as empresas sofreriam onerosidade”, analisa.
Brasil
No Brasil, as conseqüências também são visíveis. “Há dois anos o país está vivendo retração de investimento direto e teve, inclusive, que buscar ajuda junto ao FMI. Também aumentou o desemprego, há menos oportunidades de emprego, enfim, as conseqüências estão sendo terríveis”, aponta. Para ele, os atentados só deixarão de surtir efeito quando mudar o governo dos EUA. “Enquanto perdurarem os governos republicanos, e se Bush for reeleito, as conseqüências existirão.”
“Terroristas eletrônicos” agem via e-mail
O Brasil corre risco, mesmo pequeno, de ser alvo de ataques eletrônicos ? principalmente via e-mail ? hoje, quando os ataques terroristas completam dois anos. O alerta é de Eduardo Sampaio, presidente da Kroll Brasil ? empresa americana de consultoria em gerenciamento de riscos. “Existem alvos mais interessantes, como é o caso dos EUA e da Inglaterra, mas o Brasil também corre riscos, principalmente pela participação de um grande número de empresas americanas”, aponta. Há quase duas semanas, várias empresas foram atingidas pelo vírus Blaster, que ataca PCs que rodam Windows.
Sampaio orienta que os usuários de computadores tenham cautela ao abrir mensagens de e-mail em que o remetente seja desconhecido, recomenda o uso de um firewall ? dispositivo de bloqueio ?, que evita que novas falhas encontradas sejam exploradas, e varredura das vulnerabilidades que devem ajudar na identificação e eliminação de “portas” que podem ser exploradas para ataques por vírus.


