Paraná perderia diferencial de qualidade se permitisse transgênicos

A fiscalização rigorosa dos grãos exportados fez do Porto de Paranaguá uma referência para o mundo. Esta é a opinião do gerente de Recursos Genéticos do Ministério do Meio Ambiente, Rubens Onofre Nodari. Ele e representantes da Secretaria da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente, Ibama e outras autarquias conheceram, nesta quinta-feira, a fiscalização de grãos realizada pela Empresa de Classificação do Paraná (Claspar). A visita faz parte do curso de capacitação em biossegurança promovido pela Seab e pelo Ministério.

Segundo Nodari, o Paraná deve manter “a classificação estratégica e única” que vem realizando. “Se o Paraná permitir a segregação ? que demanda muito trabalho e encarece a logística ? o Estado perde este referencial que ele já tem no mundo e que traz diferencial importante de qualidade”, ressaltou.

Apesar de ter o maior pátio da América Latina ? com 613 mil metros quadrados de área ? a triagem obriga que todos os caminhões passem pelo “Posto de Controle de Qualidade para o Pool de Exportação” da Claspar. Quase dois mil caminhões e 400 vagões de trem passam por dia pelo classificação nos picos de escoamento da safra.

A empresa de classificação é responsável pelo refugo de 1.242 carregamentos de soja geneticamente modificada de um total de 120 mil caminhões fiscalizados apenas neste ano. O controle de carga é feito por um sistema de computadores que exige a apresentação de senhas pelos motoristas pelo menos duas vezes antes da saída para o descarregamento da carga no porto. “Nós reforçamos a fiscalização naqueles veículos que vem das áreas que já consideramos de ‘risco'”, afirma o gerente do Posto, Cezar Elias Simão.

O diretor da Claspar, Eduardo Baggio, esclarece que, apesar de atingir todos os veículos que passam pelo pátio, o processo de fiscalização é acelerado com mais funcionários nos períodos de maior tráfego e pode ocorrer, simultaneamente, em seis veículos. Além da transgenia, também são avaliados aspectos de qualidade dos grãos, como umidade e impurezas. “Ao longo destes 23 meses, nós não tivemos nenhuma reclamação de importador relacionada com a impureza”, salienta.

Rigidez

Após sair do pátio de triagem, a carga passa novamente por outra fiscalização no porto. A rigidez no controle de qualidade não evita, entretanto, que alguns transportadores tentem fraudar documentação para escapar do controle. Segundo o gerente da fiscalização, as tentativas de burlar a fiscalização já geraram casos de polícia. “Alguns motoristas tentavam retornar após reprovação com a mesma carga, mas com nova nota fiscal na qual constava outra placa do veículo. Configurou-se crime fiscal, que nós combatemos com a ajuda da P2 ? o serviço reservado da Polícia Militar”, relata ao destacar que o controle inclui ainda o registro do número das placas dos veículos em vídeo.

Simão explica ainda que o controle nos vagões é realizado pelos postos da Claspar no interior, para evitar o desmembramento de unidades de uma composição quando ela chega em Paranaguá. “Por uma questão de logística, a fiscalização é feita no interior e o vagão com transgênicos ou impurezas é lacrado. Aqui nós verificamos o lacre e fazemos nova vistoria nos outros vagões se for necessário”, esclarece. Além da classificação, os participantes do curso também conheceram o terminal, a moega para descarregamento de grãos e o silo público.

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