O prefeito Beto Richa participou na manhã da última terça-feira (26), no Palácio Iguaçu, da cerimônia de pagamento de indenizações a 92 ex-presos políticos beneficiados pela lei 11.255/95, de sua autoria. Marcado por lembranças, testemunhos e muita emoção, o ato foi definido pelo prefeito como uma grande homenagem aos que sofreram perseguição durante a ditadura militar.
"É um reconhecimento e uma homenagem a esses que são verdadeiros heróis, não só pela coragem em resistir ao arbítrio, mas também por sobreviverem à injustiça", afirmou o prefeito. O governador Roberto Requião entregou os cheques para os ex-presos Lídia Lukaski e João Bonifácio Cabral Júnior.
Receberam suas indenizações das mãos do prefeito Beto Richa o professor Elinor Brito e o aposentado Vinícius Mello Nascimento, ambos presos, perseguidos e exilados após o golpe de 1964. "Este ato é uma parte importante do resgate da luta democrática contra a ditadura", afirmou Elinor Brito. Ele lembrou que o Paraná foi pioneiro no Brasil a aprovar uma lei e iniciar o pagamento das indenizações.
"Sinto que fui intérprete de um desejo de justiça e posso reafirmar que esta solenidade significa o pedido de perdão que cada cidadão paranaense gostaria de fazer-lhes pessoalmente", disse o prefeito.
A lei 11.255 foi proposta e aprovada em 1995, no primeiro mandato de deputado estadual de Beto Richa. Foi a primeira do Brasil. Outros 20 Estados copiaram-na para adotar a mesma medida. Logo após sua aprovação, o Governo do Estado pagou R$ 6,8 milhões em indenizações para 229 pessoas, dentro dos critérios estabelecidos pela lei.
Há dois anos, por proposta do deputado Caíto Quintana, atual secretário chefe da Casa Civil do Governo, a lei foi revigorada, ganhando mais dois anos de vigência, o que permitiu atender a pessoas que por um motivo ou outro não haviam conseguido receber na primeira oportunidade.
Ao falar durante a cerimônia, o prefeito de Curitiba disse que o reconhecimento e a indenização simbólica não lhe parecem suficientes para a plena reparação aos danos causados pela ação da ditadura. "Precisamos avançar mais. É preciso colocar à disposição da sociedade todo e qualquer documento, oficial ou civil, público ou privado, que nos permita encontrar a nossa verdadeira história e consolidar uma memória nacional que deverá chegar intacta às futuras gerações", afirmou Beto Richa.


