Aproximadamente 300 professores da rede pública estadual, da capital e interior, estão participando em Curitiba da fase final da elaboração das primeiras Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio do Estado.

As Diretrizes definem, respeitando a legislação vigente, as linhas mestras do ensino, a partir das quais cada escola constrói seu projeto político pedagógico.

?No Paraná, não havia Diretrizes Curriculares próprias para o ensino médio. Utilizávamos diretrizes e parâmetros nacionais, que não abordam questões regionais do Estado?, disse Mary Lane Hutner, chefe do Departamento de Ensino Médio da Secretaria de Estado da Educação.

De acordo com May Lane, as últimas diretrizes do Paraná foram estabelecidas em 1990 e não contemplam as peculiaridades do ensino médio no Estado. ?Desde 2003, estamos trabalhando na construção deste material. Esta é uma ação voltada ao planejamento?, conta.

Processo coletivo

Segundo Mary Lane, uma questão positiva do processo é a participação dos professores. ?Este é um processo coletivo e democrático, no qual todos os professores do Estado estão participando. Com isso, garantimos que o resultado final vá ao encontro com as necessidades dos nossos professores?, acredita.

Para Mary Lane, o texto mostrará aos professores o caminho em que deve seguir o Ensino Médio no Estado. ?Isso dá suporte e garante a qualidade. Cada escola tem autonomia, a partir das diretrizes, para desenvolver o seu projeto político pedagógico de acordo com as especificidades da região?, garante.

Para Alayde Digiovanni, coordenadora de Psicologia da Unicentro/Irati, que é pesquisadora da área de formação continuada, a elaboração coletiva em processos como esse são de extrema importância. ?Os professores estão envolvidos na formação das políticas educacionais e na implementação delas. São eles que discutirão em seus locais de trabalho o material e, eles mesmos, se comprometem a garantir a continuidade e a implementação?, relata.

Participantes

Para Bibiano de Oliveira, professor de História do Colégio Estadual Francisco Lima da Silva, de Cascavel, o governo está contribuindo muito para a reoganização do ensino público no Estado. ?Este tipo de processo democratiza o espaço escolar e a relação dos professores com a Secretaria de Educação. Esta é uma ação válida e necessária, pois os professores se reconhecem nestes documentos e, ao mesmo tempo, se qualificam para pensar a realidade onde estão inseridos?, avalia.

?Este governo está respeitando os professores e o processo de educação. Nós, professores da rede, é que estamos confeccionando este documento, e não sábios contratados que tentam impor sua visão de mundo como ocorria no governo anterior?, argumenta Bibiano. Jaqueline Medeiros, professora de Química do Colégio Estadual Hercília França, de Mangueirinha, conta que esta é a terceira reunião que está participando.

?Essa proposta é válida e necessária, tanto pela evolução que sofremos, quanto pelo que acontece atualmente?, avalia.

?É interessante entender a visão dos professores de todo o Estado sobre a realidade vivida em cada região. As reuniões estão sendo muito produtivas para a Educação?, disse Roseli Daneluz, professora de Biologia do Colégio Estadual João XXIII, de Clevelândia.