Terminou na noite de ontem (28), na Fazenda Alto Alegre, em Loanda, o sacrifício do rebanho bovino paranaense considerado pelo Ministério da Agricultura infectado com o vírus da febre aftosa. O Estado poderá retomar as exportações a partir de 28 de setembro, quando terá completado a "quarentena" de seis meses estabelecida pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE).

Essa limitação, afirma o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne-PR), poderá ser abreviada caso os países importadores decidam comprar a carne paranaense para compensar as menores remessas da Argentina provocadas por um foco de aftosa em Corrientes, nordeste daquele país.

O total de animais abatidos nas 7 fazendas consideradas focos da doença é de 6.781. O sacrifício teve início dia 8, em duas fazendas em Maringá, e foi interrompido várias vezes devido ao mau tempo ou problemas logísticos. O maior rebanho abatido foi o da Fazenda São Paulo, em Loanda (2.745 animais), e o menor na Santa Isabel (32), em Grandes Rios. Na fazenda Flor do Café, em Bela Vista do Paraíso, foram 84 animais. Esta fazenda hospedou os 400 animais vendidos durante a Eurozebu, realizada em 4 de outubro, em Londrina. Eles haviam sido trazidos da Fazenda Bonanza, em Eldorado, cidade de Mato Grosso do Sul onde foi comprovado o primeiro foco da aftosa, anunciado em 10 de outubro.

A procedência dos animais e a reação positiva de alguns deles a testes sorológicos levantaram a suspeita, em 21 de outubro, de que a vírus da aftosa havia sido introduzido no Paraná. A confirmação da doença, pelo Ministério da Agricultura, ocorreu em 6 de dezembro. Inicialmente, apenas a Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira, foi apontada como foco da doença. Em fevereiro, mais seis focos foram confirmados.

O diagnóstico criou um impasse entre o ministério e o governo do Paraná, que, devido à ausência de sintomas no rebanho considerado doente e resultados laboratoriais inconclusivos (o vírus da aftosa não pôde ser isolado), rejeitou a hipótese de contaminação do rebanho. A necropsia de 21 animais que está sendo feita pelo Centro Pan-Americano de Febre Aftosa, no Rio de Janeiro, irá estabelecer se o gado estava ou não doente. O resultado dos exames somente deverá ser divulgado a partir da segunda quinzena de junho.

O Sindicarne estima que, nos cinco meses em que o Paraná ficou impedido de exportar para 56 países, deixou de ganhar o equivalente a US$ 117 milhões. A maior prejudicada, no entanto, foi a carne suína (prejuízo de US$ 63,9 milhões). Em segundo lugar está a carne bovina (US$ 27,4 milhões) e, em terceiro, a de frango (US$ 25,7 milhões). O maior cliente da carne paranaense é a Rússia, que estabeleceu embargo total.