A Nona Parada do Orgulho Gay, realizada nesse domingo (29) em São Paulo, superou
as expectativas dos organizadores, reunindo cerca de 2,5 milhões de pessoas,
segundo a associação promotora do evento. A Polícia Militar estimou o público
presente em 1,9 milhão.

O ato consolidou-se, pelo segundo ano
consecutivo, como o maior do gênero no mundo, ficando acima de duas outras
grandes manifestações como a de São Francisco, nos Estados Unidos, e a de
Toronto, no Canadá. A passeata teve a presença do ator Sérgio Mamberti, que
representou o ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do senador Eduardo Suplicy
(PT-SP), entre outros.

O encontro começou com uma concentração, às 11
horas, em frente ao prédio da TV Gazeta, na Avenida Paulista, e se estendeu até
à noite. Enquanto os organizadores concediam entrevista coletiva no Hotel Crowne
Plaza, o prefeito de São Paulo, José Serra, dava as boas-vindas aos
manifestantes do palco instalado diante da TV Gazeta. Às 14h25, foi dado o grito
de largada para a Parada, numa explosão de sons em toda a região da Paulista. O
trânsito foi desviado, mas as opções foram insuficientes para o fluxo de ônibus
e carros que se dirigiam ao centro da cidade, já que havia bloqueios na maioria
das vias transversais. Nesses pontos, um grande número de camelôs aproveitou
para vender bebidas, como refrigerantes, vinhos e cerveja, e lanches. O espaço
foi disputado por carrinhos de pipoca, milho cozido e até por comerciantes de
livros usados.

Crianças, jovens e idosos, alguns moradores de regiões
próximas, tomaram as calçadas ao longo dos cerca de 3,5 quilômetros desde a
avenida Paulista até a Praça da República, onde o primeiro dos 23 trios
elétricos só chegou por volta das 20h30. O colorido das fantasias, de balões e
os sons em alto volume davam um clima de festa, embora a principal bandeira de
luta envolvesse uma polêmica questão: a retomada do projeto de lei que prevê a
legalização de uniões de homossexuais.

Segundo o presidente da
Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros
(GLBT), Reinaldo Damião, a primeira versão surgiu por iniciativa da ex-prefeita
Marta Suplicy (PT-SP), na época em que atuou como deputada federal. Depois de
receber alterações, o projeto ficou parado e atualmente está nas mãos do
deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Para que a matéria entre em votação, os
homossexuais pretendem colher 1,2 milhão de assinaturas até novembro próximo em
um abaixo- assinado a ser encaminhado ao Congresso Nacional.