O secretário da Segurança Pública do RJ, Marcelo Itagiba, afirmou hoje, a três dias do show dos Rolling Stones, que a Praia de Copacabana, no Rio, "não é o local mais apropriado" para a realização do evento, considerado "sem paralelo com qualquer outro realizado na cidade". O público esperado sábado (18) é de cerca de 1 milhão de pessoas. "Não é um show de música clássica", argumentou Itagiba.

Itagiba disse que suspendeu a folga de policiais militares para contar com o efetivo de 15.610 homens no Estado, dos quais 2.050 trabalharão na orla de Copacabana. "Recebemos um pacote pronto da prefeitura e dos produtores do show. Não acho que é o local ideal nem para a questão da segurança nem para a tranqüilidade e o conforto do público e dos moradores de Copacabana, que será extremamente sacrificada." Itagiba também defendeu a criação de legislação que permita a cobrança de um taxa pelo serviço de segurança pública em eventos privados.

Para o secretário seria melhor escolher locais afastados na zona oeste da cidade, como o autódromo ou o Riocentro, próximos de onde aconteceram o primeiro e o terceiro Rock in Rio "O risco seria menor."

Esquema

O secretário disse que usará "todo o efetivo possível". A PM vai atuar com cães farejadores, bugres, quadriciclos, cavalos e terá 23 torres de observação de 4 metros de altura, 12 no calçadão e 11 na areia, além das 14 câmeras instaladas na praia. Serão usadas 707 viaturas, 63 motos, 3 helicópteros e duas embarcações na operação.

"Nunca fizemos um evento desta magnitude. Não existe paralelo com qualquer outro show, carnaval ou réveillon, não há comparação ou analogia", disse o relações públicas da PM, coronel Aristeu Leonardo Tavares.

Haverá barreiras nas divisas do Estado e blitze pela cidade. Ônibus com fãs da banda – são esperados 2.500 – serão escoltados desde a entrada no Rio. A PM informou que haverá "cerco" a pelo menos 23 favelas desde a véspera do show. A Polícia Civil terá reforço nas delegacias próximas, cerca de 600 homens trabalhando por conta do show e o apoio de um juizado especial criminal montado exclusivamente para o evento. Será instalado um Posto de Comando e Controle na esquina das avenidas Princesa Isabel e Atlântica.

O público ficará a cerca de 4 metros do palco móvel, mas será separado por uma barreira de contenção, de 1,2 metro de altura, instalada a 60 metros da estrutura para "impedir eventual esmagamento". "Não estamos agindo de forma seletiva, quem age de forma seletiva é quem coloca área VIP. Diferentemente do que está sendo alardeado, não estamos impedindo ninguém de ficar perto, mas a pessoa vai ter que dormir lá. Quem chegar tarde vai ficar no Leme", disse Tavares.