A possibilidade de o segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter menos petistas e mais membros de outros partidos aliados em ministérios, principalmente o PMDB, é bem-vista e aceita por parlamentares petistas consultados pela Agência Estado. Diante do aceno de Lula de ceder até mesmo o Ministério da Saúde para algum peemedebista, os deputados consideram mais importante apoiar as decisões do presidente e ampliar a base de apoio do governo do que manter cargos nas mãos de membros do partido.

Para o deputado Arlindo Chinaglia, a escolha dos ministros é exclusividade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não tenho qualquer opinião sobre isso. O presidente Lula vai montar o ministério que achar apropriado para fazer o melhor governo, independente da quantidade de ministros que será do PMDB ou de outro partido", afirmou. "Como o presidente já disse que vai conversar com outros partidos, dependerá dele abrir essa conversa com os partidos ou não. Aí caberá ao PT dar sua opinião. Mas isso, por enquanto, é apenas uma hipótese. É presumível que ele faça, mas isso, que eu saiba, ainda não aconteceu," acrescentou. Segundo ele, o mais importante é que o PMDB permaneça como base de apoio do governo na Câmara e no Senado. "Essa questão é fundamental.

O deputado José Eduardo Cardozo seguiu na mesma linha. "Acho que o presidente Lula tem total liberdade para compor sua equipe partindo das premissas da competência e da sustentação política do governo", afirmou. Para ele, o PT tem o dever de apoiar o governo, independente de concordar ou não com os nomes que vierem a ser indicados pelo presidente. "O presidente é do nosso partido e com certeza fará aquilo que entende por melhor para dar sustentação ao governo. De nada adiantará o PT ter cargos em um governo se o governo não tiver sustentação. Nosso objetivo principal é fazer com que o governo dê certo", opinou.

O deputado federal eleito Cândido Vaccarezza concorda com Cardozo e Chinaglia. Para ele, a escolha dos ministros cabe ao presidente Lula, que, segundo ele, ainda não tomou qualquer decisão sobre o assunto. "Quando o presidente fizer a escolha, vai anunciar à nação", afirmou. "Não vejo qualquer problema em ceder ministérios para o PMDB e outros partidos aliados", acrescentou.

Representatividade

Para o deputado federal eleito Jilmar Tatto, a representatividade do PT deve ser respeitada na escolha dos ministérios do novo governo. Em sua avaliação, o PT não estava bem representado nos ministérios no primeiro governo, mas sim algumas pessoas filiadas ao partido. "Não houve uma discussão a respeito disso no primeiro mandato do presidente Lula, mas espero que isso seja debatido no segundo mandato", afirmou. "Não se trata de disputar ou reivindicar cargos, mas sim em garantir que a política que o PT prega seja implementada pelo atual governo", acrescentou.

Tatto ressaltou, entretanto, que a decisão final sobre quem deve ou não ocupar ministérios no próximo governo é do presidente Lula. "Compete ao presidente avaliar quem são os melhores nomes do partido", disse. Ele também não se opõe a uma maior participação do PMDB e de outros partidos aliados no governo. "Não tenho nenhuma objeção. O importante é formar um governo de coalizão e contemplar partidos da base aliada. O que não pode é dar um ministério ou cargo para quem vota contra o governo", opinou.

Mesmo a idéia de ceder o Ministério da Saúde para o PMDB não é mal vista pelos deputados. "Qual é o problema de o Ministério da Saúde ficar com o PMDB? Lula tem uma política extremamente centralizadora. Se eles fizerem qualquer coisa fora da linha geral que o Lula colocar, cairão sem dó nem piedade", opinou uma fonte com bom trânsito junto ao governo.