O segundo vice-presidente da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), considerou uma "decisão política" do Supremo Tribunal Federal (STF) a derrubada do aumento salarial dos parlamentares. "Decisão judicial se cumpre, mas foi uma decisão política do Supremo", afirmou o deputado. Nogueira considerou estranho o fato de o pleno do tribunal ter se reunido no dia seguinte à entrada da ação no STF, quando, por várias vezes, os julgamentos acontecem em prazos muito maiores.

Segundo Nogueira, isso demonstra a prioridade que os ministros deram para essa questão. Nogueira lembrou também que foi publicado no Diário Oficial da União de hoje a sanção do reajuste nas carreiras do Judiciário que causará um impacto nas contas públicas de R$ 5 bilhões. "Isso não tem repercussão na sociedade", comparou Nogueira.

O deputado, que votou a favor do aumento de 90,7% dos salários na reunião das Mesas do Senado e da Câmara na semana passada, afirmou que o Congresso terá de ter tranqüilidade na decisão de amanhã, quando o plenário deve votar as propostas de reajuste. "Amanhã o plenário vai ter de votar alguma coisa, porque não tem outra forma. O plenário pode decidir não dar aumento nenhum", disse.

Segundo Nogueira, desde a semana passada, ele tem recebido telefonemas de deputados que estão favoráveis ao reajuste de R$ 12.847,20 para R$ 24,5 mil, equiparando os vencimentos dos parlamentares ao dos ministros do Supremo. "Noventa e cinco por cento dos deputados estavam ligando mantendo o reajuste. Não sei se vão se expor na votação no plenário", afirmou Nogueira.