Para ministro, atração de mais dólares é o “preço do sucesso”

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou de "preço do sucesso" a possibilidade de maior fluxo de dólares ingressando no País, derrubando ainda mais a taxa de câmbio, com a elevação da nota de risco do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch. "É o chamado preço do sucesso. Aquela situação em que você ganhava R$ 15 mil por mês e, com um aumento, passa a ganhar R$ 25 mil e aí tem a preocupação do que fazer com os R$ 10 mil que está ganhando a mais.

A taxa de câmbio está hoje em torno de R$ 2,02 por dólar, o nível mais baixo desde fevereiro de 2001. Para o ministro, este tipo de problema "é inevitável" porque o Brasil tem hoje uma economia mais sólida que atrai a atenção dos investidores. Mantega disse que este fenômeno não é só da economia brasileira, mas de um quadro econômico-financeiro vivido por vários países do mundo. "O que está ocorrendo é uma desvalorização do dólar e uma valorização da maioria das moedas. Nós até que estamos conseguindo manter uma certa estabilidade cambial, apesar do grande fluxo de moeda estrangeira que corre para o País", disse.

Ele destacou que há uma grande diferença entre o fluxo estrangeiro que entra hoje no Brasil e no passado. Na sua avaliação, os ingressos no passado eram capitais especulativos porque o País tinha uma economia frágil e os investidores corriam atrás de ganhar dinheiro fácil. "Hoje, é diferente. Temos aumento do investimento estrangeiro direto, que é um aporte sólido de recursos que proporciona o crescimento do emprego e da renda", disse o ministro em entrevista à imprensa, no início da tarde.

Mantega disse ainda que este fluxo de capital externo é salutar e acrescentou que a valorização de outras moedas no mundo têm sido superior à do real. Segundo ele, nos últimos 12 meses o euro se valorizou mais do que a moeda brasileira, porque a economia européia está tendo desempenho favorável, atraindo mais investimentos. Já os Estados Unidos estão crescendo menos e, por isso, é normal, segundo ele, que os recursos procurem países mais atrativos.

O ministro da Fazenda acredita que as reuniões do governo brasileiro com as agências de rating podem ter ajudado a melhora na classificação de risco do Brasil promovida hoje pela Fitch Ratings. "O trabalho de esclarecimento sempre ajuda porque às vezes mostra uma realidade mais clara que as agências não conseguem verificar sem a nossa colaboração", disse Mantega.

O ministro esteve reunido com as agências de classificação de risco em abril durante viagem a Nova York. Para Mantega, a melhora na avaliação do risco vai permitir que as empresas brasileiras consigam recursos mais baratos no exterior e que o governo role sua dívida externa a taxas mais baratas. "E isso atrai investimentos estrangeiros de qualidade", afirmou.

Grupos de WhatsApp da Tribuna
Receba Notícias no seu WhatsApp!
Receba as notícias do seu bairro e do seu time pelo WhatsApp.
Participe dos Grupos da Tribuna
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.