O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta quarta-feira (16) que não vai demorar muito para o Brasil receber o grau de investimento, ao avaliar a melhora da nota de crédito do País concedida pela agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P). Segundo ele, isso vai acontecer quando a economia estiver crescendo à taxa de 5% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB).
Ele concedeu entrevista nesta quarta-feira no auditório do Ministério da Fazenda, acompanhado de toda a equipe do Tesouro Nacional, responsável pela administração da dívida pública. "Venho comemorar a melhora do risco Brasil. O risco continua caindo", afirmou ele ao entrar no auditório. O ministro acrescentou que para o crédito doméstico o Brasil já é grau de investimento (nível no qual só são colocados emissores de dívida com baixa probabilidade de dar calote).
Segundo ele, a redução no risco Brasil é resultado do trabalho de melhoria dos fundamentos econômicos e de administração da dívida. "Confirma (a melhoria da nota) que os fundamentos estão cada vez mais sólidos", afirmou. Para o ministro, "isso se traduz em taxas de juros menores para a rolagem da dívida externa e para as empresas". Ele destacou ainda que "agora é o País que está crescendo a taxas expressivas a mais de quatro por cento".
Importação
Mantega afastou a possibilidade de adoção de um choque de redução geral da alíquota do Imposto de Importação. Esse choque foi sugerido pelo ex-ministro Delfim Netto e pelo ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. "Não há necessidade de choques de importação, não gosto de choques". Ele disse que prefere a adoção de medidas "sem surpresas" e que as importações já estão crescendo "de forma extraordinária".
Na avaliação do ministro, a economia brasileira vive, na prática um choque de importações, já que o dólar barato permite a compra no exterior de produtos de menor preço, o que reduz os preços também no mercado interno.
Ele afirmou que esse processo, que já está acontecendo, funciona como uma redução de alíquota. "É chover no molhado falar em choque de importação. Isso já está acontecendo", afirmou.