Brasília – A maioria dos agricultores brasileiros não terá dificuldades para pagar suas dívidas em 2007, prevê o vice-presidente interino de Agronegócio do Banco do Brasil, Derci Alcântara. Ele apresentou nesta quinta-feira (21), em Brasília, um balanço do setor em 2006. "Voltamos a entrar em um ciclo de crescimento", disse o executivo."A previsão que se tem para a safra 2008 é ainda melhor que a de 2007."

Segundo Alcântara, diante do cenário que se projeta para os preços da safra em 2007, os produtores terão condições de honrar todos os compromissos de custeio, principalmente pela redução de custos das lavouras."Em 2007, os produtores terão uma renda positiva, quando o produtor começa a pagar o endividamento", disse ele.

Para o diretor, em 2008, a situação será ainda melhor porque o produtor estará novamente capitalizado, e o setor público também deve aumentar os investimentos. "Ou seja, a renda vai ser maior e esperamos que haja também expansão de lavoura e expansão do crédito", disse. "O Banco do Brasil tem atendido mais a cada ano que passa, tem colocado mais recursos no setor e a nossa expectativa é fazê-lo novamente."

De acordo com Alcântara, boa parte do cenário positivo esperado para o próximo ano pode ser explicado pelo volume de recursos financiados e aplicados pelo Banco Brasil em 2006. Até o final do mês de novembro, a carteira de crédito do agronegócio totalizou R$ 45,9 bilhões. As aplicações (custeio, comercialização e financiamentos) do banco na safra 2006/2007 devem alcançar R$ 33 bilhões. São R$ 27 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 6 bilhões para a agricultura familiar.

Alcântara afirmou ainda que o Banco do Brasil vai trabalhar para desburocratizar e agilizar a concessão do crédito para o produtor. ?Estamos trabalhando junto com o governo na idealização de um chamado capital de giro. Ou seja, um crédito mais fácil, considerado credito rural, com juros praticados pelo setor, para pagamento de despesas do dia-a-dia, depositado em uma conta de livre movimentação para o médio e grande produtor?, explicou.

?Poderíamos ter uma conta rotativa em que o produtor usaria e pagaria na medida em que tivesse disponibilidade, e essa conta poderia não ser apenas de uma safra, mais de cinco anos, por exemplo?, complementou Alcântara.

A exceção no bom cenário previsto para 2007, segundo Alcântara, deve se dar entre os produtores de soja e milho do norte do Mato Grosso, porque esses produtos não terão o rendimento necessário para a quitação do endividamento anterior de safras. Naquela região, devido à distância dos portos, o custo do transporte dos insumos e dos produtos tem causado dificuldades aos produtores.