Para analistas, Brasil deve continuar negociando reforma ampla da ONU

Brasília – A participação em operações de paz tornou-se uma constante nos últimos anos. O Brasil enviou forças ou observadores militares em cinco missões da Organização das Nações Unidas (ONU) em diversas regiões do planeta: Timor Leste, Costa do Marfim, Libéria, Sudão e Haiti.

?Vivemos um situação mundial muito difícil, que exige de nossos países uma participação intensa, forte, decidida?, afirma o economista Theotônio dos Santos, diretor da Rede de Economia Global da Universidade das Nações Unidas para a Economia Global e o Desenvolvimento Sustentável.

?É preciso, também, desenvolver a consciência da população da necessidade de participar da organização de uma sociedade mundial justa e pacífica.?

Esse esforço, na prática, representa também a disputa do Brasil por uma uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, segundo alguns especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Atualmente, o conselho conta com apenas cinco membros e tem o poder de decidir sobre adoção de sanções e a autorização de intervenções militares em regiões de conflito. ?É muito importante participar num centro de decisão mundial como o Conselho?, acredita Theotônio.

?Tudo indica que uma reforma das Nações Unidas terá que ser feita e é preciso tentar influir nesta reforma, é lá que está o poder do mundo?, concorda Mário Ferreira Presser, coordenador do curso de Diplomacia Econômica da Universidade de Campinas (Unicamp).

Na sua opinião, buscar uma vaga permanente no Conselho de Segurança não é o único caminho. ?Não sei se a melhor forma é pedir uma vaga permanente, pedir vagas regionais, vagas rotativas ou pedir menores poderes para o Conselho de Segurança?, afirma.

?Independentemente de haver ou não reforma, acho que o Brasil tem toda a razão de pleitear um posto permanente, da mesma forma que Japão, Alemanha e Índia?, opina o embaixador Rubens Ricupero, ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Ricupero não acredita numa reforma das Nações Unidas no curto prazo, mas acha que o Brasil deve continuar pleiteando uma vaga permanente no Conselho de Segurança.

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