Em meio à batalha judicial envolvendo governistas e oposicionistas do PMDB, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse hoje (20) que não será bom para a democracia brasileira um quadro polarizado entre PSDB e PT na próxima eleição presidencial. Embora suspensa por uma decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, as prévias do PMDB para escolher seu candidato à Presidência foram realizadas no domingo e o ex-governador do Rio Anthony Garotinho, foi o mais votado na consulta, que tinha como pré-candidato também o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. A validade das prévias, contudo, dependia de confirmação na Justiça.

Os tucanos avaliam que a presença de Garotinho no cenário da eleição presidencial pode favorecer a realização de um segundo turno. "O PMDB é um ator importante nesse processo", observou Aécio. O governador mineiro destacou que existe uma "identidade forte, sobretudo nas origens do PSDB, em relação ao PMDB". Ele disse que torce para que os peemedebistas encontrem, unidos, "um caminho".

"Como ex-peemedebista – foi o único partido do qual participei antes de fundarmos o PSDB – eu gostaria de ver o PMDB também construindo um projeto nacional e, quem sabe, próximo a nós", afirmou. "Para a democracia brasileira, não é bom nós termos um quadro de polarização entre apenas duas forças políticas. Eu acho que o PMDB exerce um papel importante nesse momento".

Aécio, no entanto, avaliou que o PMDB terá muitas dificuldades de lançar um candidato próprio à Presidência caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida que a regra da verticalização, que obriga os partidos a repetirem nos estados as alianças firmadas na eleição presidencial, continua valendo no pleito de outubro deste ano. "Isso contrariaria aquilo que vem sendo a força maior do PMDB: os palanques regionais, as possibilidades concretas de candidatura a governos que o PMDB tem e que estariam isoladas, na eminência da manutenção da verticalização". A Câmara promulgou uma emenda constitucional que acaba com a verticalização, mas o STF irá decidir se a PEC tem validade tendo sido promulgada menos de um ano antes da eleição.