O ministro de Economia Antônio Palocci negou que os governos do Brasil e da Argentina tenham realizado algum tipo de coordenação para anunciar a medida de quitar a dívida de ambos países com o Fundo Monetário Internacional (FMI), como havia insinuado o presidente Néstor Kirchner. Em extensa entrevista concedida ao jornal semanal Perfil, ele disse que "essa decisão de nossa parte como de parte da Argentina são decisões autônomas dos países. Nós temos muita proximidade; a Argentina é considerada um país irmão com muita proximidade econômica e diplomática".

Palocci afirmou que a decisão do Brasil foi tomada há dois meses e que não comentou sobre o assunto com nenhum membro do governo Kirchner. "Liguei para a ministra Miceli na quarta-feira (um dia depois do anúncio brasileiro). Ela me disse que a Argentina estudava algo parecido", afirmou Palocci. Ainda sobre o FMI, Palocci disse que "não se deve supervalorizar as consequências do pagamento antecipado da dívida. É um fato positivo mas não devemos esquecer que igualmente tínhamos que devolver esse dinheiro".

Sobre o futuro do FMI, ele opinou que "chegou o momento de que atualize seus créditos em função da realidade atual da economia. No passado trabalhava com créditos focalizados nas dificuldades da balança comercial. Hoje isso não representa para os países emergentes nenhum risco, pelo menos a curto prazo. Os riscos maiores são os choques nas contas de capital, e o FMI não dispõe de instrumentos modernos para responder a esse tipo de ameaças".

O ministro falou ainda sobre sua relação com Roberto Lavagna, o ex ministro de Economia da Argentina, e sua sucessora, Felisa Miceli, inflação, cotação do dólar, Alca, Mercosul, Venezuela, Bolívia, Gás, Bush, pobreza e distribuição de renda. Além da relação com a Argentina, as exportações e investimentos do Brasil na Argentina.