Num ano em que o Palmeiras não apresentou resultados positivos no campo esportivo – com o 3º lugar no Paulistão, a eliminação na fase das oitavas na Libertadores e a 16ª posição no Campeonato Brasileiro – as contas do clube também se comportaram de forma extremamente negativa. Segundo demonstrações financeiras publicadas hoje no Diário Oficial do Estado a Sociedade Esportiva Palmeiras fechou 2006 com déficit de R$ 37 243 milhões, resultado negativo mais de sete vezes superior aos R$ 5,054 milhões contabilizados em 2005.

O resultado operacional do esporte profissional, praticamente todo representado pelo futebol, ficou negativo em R$ 7,039 milhões, ante R$ 571,8 mil no ano retrasado. As despesas gerais e administrativas do clube saltaram de R$ 12,786 milhões para R$ 30,679 milhões. Ainda foi registrado resultado financeiro líquido de R$ 5,996 milhões negativos, fruto de juros incidentes sobre empréstimos bancários.

A receita de esporte profissional do Palmeiras somou R$ 55,198 milhões no ano passado, uma alta de 4,26% sobre o que foi arrecadado em 2005. A composição dessa receita mostra a força dos direitos de transmissão dos jogos, que representaram R$ 22 109 milhões. O Palmeiras contabilizou ainda R$ 10,386 milhões referentes a patrocínio, R$ 10,158 milhões com negociação de atletas e R$ 6,990 milhões com bilheteria dos jogos. A receita de publicidade alcançou R$ 2,225 milhões e outras receitas referentes a aluguéis e bares e restaurantes do clube somaram R$ 3,328 milhões.

Os custos operacionais, no entanto, foram superiores às receitas. Os gastos de pessoal no departamento profissional subiram de R$ 16,977 milhões para R$ 20,763 milhões. O Palmeiras pagou ainda R$ 11,856 milhões em direitos de exploração de imagem, R$ 9,433 milhões com amortizações e baixas em direitos de atletas e R$ 3,878 milhões na "participação de terceiros em negociação de direitos contratuais", leia-se empresários e procuradores de jogadores. No total, os custos do futebol profissional atingiram R$ 62,238 milhões em 2006, 16,5% a mais que em 2005.

O clube lançou em seu balanço patrimonial R$ 14,478 milhões em provisão para risco de créditos, ou seja, dívidas que tem poucas esperanças de ver quitadas. Nessa conta entram R$ 1,617 milhão devidos por clubes como Ponte Preta, Portuguesa de Desportos, Chiapas Club – México, Atlético Mineiro, Guarani e Vasco da Gama este último devendo R$ 994,560 mil. Segundo uma nota explicativa do balanço, como a quase totalidade desses créditos não teve qualquer recebimento há mais dois anos, optou-se por constituir uma provisão para risco.

A maior obrigação não paga, no entanto, são R$ 10,553 milhões em compromissos da Parmalat, ainda no período de co-gestão do clube. No acordo, o Grupo Parmalat assumiu a obrigação de quitar todos os passivos existentes ou a existir referentes às transações com atletas profissionais. Mas com sua crise financeira, a Parmalat interrompeu os desembolsos em 2004.