O governo brasileiro quer que países europeus expliquem os critérios que estão utilizando para barrar a entrada de brasileiros em oito aeroportos da Europa. Na semana passada, 202 foram detidos durante os primeiros dias da operação batizada de Amazon II e conduzida pela Agência de Controle de Fronteiras Externas da União Européia (Frontex). Até agora, 800 sul-americanos foram impedidos de entrar em países europeus na primeira fase da operação, que vai continuar por mais duas semanas.

O Itamaraty decidiu pedir a todos os seus consulados na Europa que acompanhem de perto a situação dos brasileiros para evitar que ocorram abusos. O Brasil tem acordos com praticamente todos os países europeus que permitem a entrada de brasileiros sem a necessidade de visto.

Daniella Munzbergowa, porta-voz da Frontex, disse ontem ao jornal O Estado de S. Paulo, em Varsóvia (Polônia, sede da agência européia), que não sabe informar quantos dos brasileiros barrados na semana passada ainda permanecem detidos. ?O mais provável é que já tenham retornado para os aeroportos de origem (deportados). Isso depende de cada aeroporto envolvido, da disponibilidade nos vôos de retorno e da gravidade da situação de cada passageiro.? Segundo Daniella, alguns podem estar envolvidos com tráfico de drogas e de armas.

O Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, barrou a entrada de 60 brasileiros, o maior número da operação da Frontex. O cerco aos imigrantes na França, aliás, deve ser ampliado nos próximos meses. Ontem, o ministro francês de Interior, Nicolas Sarkozy, avisou que deixará aviões à disposição da Frontex este mês, no Mar Mediterrâneo, com o objetivo de evitar a entrada de imigrantes ilegais.

Além do Charles de Gaulle, brasileiros foram barrados nos aeroportos de Barajas, em Madri, 57; Portela, em Lisboa, 39; Malpensa, em Milão, 32: El Prat, em Barcelona, 8; Am Main, em Frankfurt, 3; Schiphol, em Amsterdã, 2; e Leonardo da Vinci, em Roma, 1. A Frontex alerta que o controle rotineiro também está sendo realizado nos demais aeroportos europeus, como os de Londres e Copenhague, além de nas fronteiras terrestres e marítimas.

A Frontex explicou que os agentes nos aeroportos são treinados para avaliar aspectos como a situação financeira dos sul-americanos que tentam entrar na Europa. Também verificam a autenticidade de informações sobre onde pretendem se hospedar e quanto tempo vão ficar no continente. Países como Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Suíça tem um número grande de imigrantes brasileiros.