Em sessão plenária em homenagem ao Dia do Trabalhador, realizada hoje no Senado, o senador Paulo Paim (PT-RS) fez um apelo para que o governo retire da pauta a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Reforma Sindical. Segundo Paim, a medida apenas dividiu os trabalhadores. "Nós não queremos esta reforma sindical apresentada. Vocês sabem disso. Diriam inúmeras centrais, confederações, federações, sindicatos e associações de trabalhadores: Ela não é boa para nossa organização, então, nos façam esta homenagem!", pediu o senador.

Paim defendeu a criação de uma comissão mista para discutir a proposta de reajuste permanente do salário mínimo. Para que a comissão seja instalada e comece a funcionar, é necessário que a Câmara indique seus representantes, que se somarão aos 11 já nomeados pelo Senado. Na semana passada, em reunião com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), Paulo Paim pediu agilidade na indicação dos integrantes da comissão.

A comissão deverá ouvir governadores e prefeitos, além de representantes da Previdência Social e de entidades ligadas aos trabalhadores e aos aposentados para definir as regras de reajuste do salário mínimo.

De acordo com Paim, os critérios que serão adotados pela comissão devem fazer com que, a longo prazo, o salário mínimo alcance um valor que atenda às necessidades vitais básicas do trabalhador, como moradia, alimentação, saúde, educação, lazer e transporte, conforme determina a Constituição.

Neste ano, o salário mínimo é de R$ 300. "Se não dá para ampliar para este ano, vamos tentar no ano que vem. O valor está longe do que o trabalhador necessita", disse o senador. "Acho que o presidente também sabe que não dá para viver com isso", acrescentou Paim.

No sábado (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em rede nacional, que gostaria que o valor do reajuste do salário mínimo fosse maior, mas que isso não poderia ser feito neste momento. "Deus sabe como gostaria de estar aqui agora anunciando um salário mínimo maior", disse ele. Lula explicou que isso não pode ser feito neste momento, porque "desequilibraria as contas da previdência, que hoje já carrega um déficit de R$ 37 bilhões, jogando por água abaixo tudo o que já se conseguiu em dois anos de governo".