O zoólogo Steve Irwin, também conhecido como "caçador de crocodilos", não aceitaria um funeral com honras de Estado porque preferiria ser lembrado como "um sujeito comum", disse hoje o pai do australiano. Nos primeiros comentários da família de Irwin desde a morte do zoólogo, na segunda-feira, Bob Irwin, pai de Steve, agradeceu aos fãs pelo apoio manifestado e destacou que seu filho morreu fazendo aquilo que amava.

Irwin, de 44 anos, ganhou fama internacional como apresentador do programa "Caçador de Crocodilos", transmitido no Brasil pelo canal pago de TV Animal Planet. Ele filmava um documentário na Grande Barreira de Corais, a cerca de 2.000 quilômetros da costa australiana, quando foi atingido no coração pelo ferrão de uma arraia.

Milhares de fãs têm visitado o zoológico de Irwin, no Estado australiano de Queensland, depositando flores e deixando homenagens por escrito. O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, sugeriu que o zoólogo merecia um funeral com honras de Estado, pois atuava como uma espécie de embaixador do país. Seu pai, porém, comentou que o filho não desejaria isso. "Ele era um cara simples e certamente gostaria de ser lembrado como um sujeito comum. Ele rejeitaria um funeral com honras de Estado", afirmou Bob Irwin.

"Ao longo dos anos, eu e Steve vivemos juntos uma série de aventuras", declarou o pai diante de uma aglomeração de jornalistas e cinegrafistas em frente ao Austrália Zôo, o zoológico que ele fundou e foi transformado por seu filho numa atração turística. "Nós conhecíamos os perigos e costumávamos fazer piadas sobre isso. Isso não significa que éramos descuidados. O perigo fazia parte do trabalho", reconheceu Bob Irwin, de 66 anos. "Nós não éramos como pai e filho. Nunca fomos. Éramos amigos. Eu me lembrarei de Steve como o melhor amigo que já tive em minha vida", concluiu o pai.