A crise brasileira e seus reflexos imediatos na economia foram noticiados pelos jornais de quase todos os países ricos. Não podia ser diferente, tendo em vista o grau de interesse dos investidores internacionais, assim como o número exponencial de transnacionais atuantes em território nacional.

Os títulos da dívida externa brasileira passaram a operar em terreno negativo, sinal claro da inevitável apreensão do mercado externo. Caiu o índice Ibovespa, termômetro mais ativo da economia do País, enquanto o dólar comercial passava a apresentar uma tendência de alta.

Um experimentado corretor de valores chegou a lembrar o clima de alguns anos, quando a cada sexta-feira espalhava-se o boato da iminência de mais um escândalo político. A reação do mercado ainda é controlada, mas ninguém garante que a situação não venha a sofrer alteração para pior, afinal, cenário altamente indesejável e extemporâneo.

A incerteza gerada pela crise vai travar a retomada do investimento privado, que muitos esperavam ver em breve. Assim, o sonhado projeto de desenvolvimento sustentável, bem ainda a agenda da eficiência preconizada pelo governo até o final de 2006, ficam para as calendas.

As instituições que repartem o poder republicano, sem tardar, devem sair ao encontro da sociedade organizada e, juntas, trabalhar na costura de um pacto de redenção nacional.