O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) foca-se basicamente na infra-estrutura. E não poderia ser de outra forma, pois não é possível produzir crescimento econômico se sua base inexistir. Toda a construção das partes superiores da pirâmide do desenvolvimento ficaria sem sustentação. Assim como no Plano de Parceria Público Privada, que ficou no papel, o governo precisa contar, para a realização do ambicioso projeto, com recursos do público, das empresas, de investidores particulares, pois sozinho não tem o suficiente para mandar construir estradas, ferrovias, rodovias, portos, usinas elétricas e, ainda, consertar o que já existe e está sucateado. O esforço pré-eleitoral de gastar dinheiro a rodo para arrumar as rodovias foi desperdício. Os cofres públicos ficaram mais vazios e as estradas mais cheias de buracos.
Felizmente é essa parceria o caminho decidido pelo presidente do Brasil, enquanto outros líderes de países sul-americanos, como Evo Morales, da Bolívia e Hugo Chávez, da Venezuela, trilham caminhos diversos e adversos, buscando na nacionalização, moralmente nem sempre justificável e economicamente quase sempre não indicada, os recursos para sua revolução socialista. O Brasil, nesse processo, é vítima e não companheiro, pois nossos recursos aplicados naqueles países estão em severo risco. E também o fornecimento de insumos, como o gás da Bolívia, da qual somos o maior cliente. Seria de se esperar, porém não desejar, que por razões políticas ou político-ideológicas, Lula acompanhasse seus colegas da esquerda da América Latina, marcando como eles o funeral de um futuro moderno de viável desenvolvimento econômico. Teve mais juízo e preferiu antes o PPP e agora o PAC, associando capitais públicos e privados.
Uma análise superficial do que aconteceu na Bolsa de Valores de São Paulo sugere que essa associação pode se realizar através do mercado de ações e que tenhamos obras de infra-estrutura tocadas por empresas de capital democratizado. Captando alguns sinais positivos referente aos Estados Unidos, onde a Bolsa subiu com muita força, a de São Paulo chegou a bater recorde. O índice Bovespa marcou 50.016 pontos e movimentou a ponderável quantia de R$ 1,16 bilhão num só dia.
Laboram contra essa parceria, entretanto, usos e costumes tanto dos nossos investidores quanto dos nossos governos. O investidor brasileiro não está acostumado a aplicar recursos a longo prazo. Até mesmo o conceito de longo prazo difere do existente em outros países. No Brasil, para muitos, um ou dois anos é longo prazo, enquanto em nações desenvolvidas que construíram ou constroem, ainda, obras de infra-estrutura, a maturação das aplicações se conta em dez ou mais anos. Assim tem de ser, pois uma rodovia, uma usina, um porto ou outra obra do gênero demanda tempo para ficar pronta e muito mais para se tornar rentável. No mais, ainda está impregnada na mente dos brasileiros a idéia de que obras de interesse público têm de ser do governo ou por ele controladas. Não há simpatia pelas privatizações.
A ameaçar o PAC e suas obras essenciais de infra-estrutura está o fato de o Brasil ser considerado ?pouco atraente? para empresários que querem investir em infra-estrutura. A razão principal da rejeição, segundo o economista-chefe do Banco Mundial (Bird), Paulo Corrêa, é a instabilidade das regras de funcionamento de setores como telefonia, energia e transportes?. De outro lado, a metade de todo o dinheiro depositado no sistema bancário brasileiro, segundo a agência de classificação de risco Austin Rating – uma quantia da ordem de R$ 730 bilhões – está em três instituições: Banco do Brasil, Bradesco e Itaú. A crescente concentração bancária é uma das causas das altas taxas de juros, mais um óbice às aplicações da iniciativa privada no mercado acionário e ainda em sociedade com o governo.


