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Óticas diferentes

  • Por Editorial Do Jornal O Estado Do Paraná

Enquanto candidato, e na medida em que se reforçava a convicção de que seria vitorioso, Luiz Inácio Lula da Silva ajudou a aumentar o chamado risco-Brasil. Também propiciou uma extraordinária valorização do dólar em relação ao real e conteve fluxos de recursos externos e internos para aplicações diretas ou no mercado financeiro. Provocou a fuga de capitais, tanto oriundos do exterior quanto os internos. Empresas ficaram sem fontes de crédito e dívidas não foram renovadas, salvo em casos em que foram exigidos juros extorsivos.

Em legítima defesa, Lula e sua equipe política buscaram fazer crer que tudo não passava de manobras de adversários políticos, dentre eles o governo FHC. Este, por sua vez, como vivia no dia-a-dia os constrangimentos que as desconfianças do mercado vinham provocando – pois este imaginava que um governo Lula implantaria a heterodoxia econômico-financeira, quebrando contratos e, quem sabe, até chegando a uma moratória -, apressou-se em avalizar a candidatura petista, assegurando que ela era confiável. Hoje, Lula, no exercício da presidência, mostra-se para o mercado absolutamente confiável, cumprindo contratos, praticando uma política econômica ortodoxa, no mesmo rumo da que seguia a equipe de FHC e até mais austera. Resultado: cai abruptamente o risco – Brasil e o dólar baixa a cotações mais civilizadas. Recursos externos voltam ao nosso País, embora ainda com timidez. Na ótica do mercado, especialmente do exterior, o Brasil vai indo bem. O inverso ocorre no plano interno. Na visão do povo, Lula ainda merece confiança e ainda conta com parte da popularidade que o levou à chefia da nação. Mas, pela segunda vez consecutiva, pesquisas de opinião pública revelam que cai seu prestígio entre os brasileiros que o levaram ao Planalto com largas esperanças de radicais mudanças e milagrosas soluções para os problemas nacionais.

Aqui dentro, é de se compreender esse comportamento que revela um início de desesperança, contida apenas pela expectativa de que em breve poderá acontecer alguma coisa, inclusive o empacado programa Fome Zero e as discutidas, porém ainda não formuladas, reformas de base. É que foi prometido demais e, até agora, nada foi feito que beneficie de imediato a população de baixa renda. Mas tudo foi feito para satisfazer o mercado financeiro, como uma preparação para futuras mudanças intestinas que venham a saldar os compromissos assumidos com o eleitorado.

Lula está tendo aprovação no exterior e desconfiança dentro do Brasil. Como seu governo entende que o ajuste fiscal que faz com mais rigor até que o governo que sucedeu, é condição “sine qua non” para mudar o Brasil e dar-lhe as feições que prometeu, com solução dos problemas sociais, aceita ou pelo menos engole a nascente impopularidade, crente de que recuperada de todo a confiança externa e do mercado interno serão criadas condições para começar a governar. Governar fazendo alguma coisa em termos de desenvolvimento econômico e social, com reformas, Fome Zero e empregos, esperanças que fenecem, mas ainda não morreram entre os brasileiros.

Uma análise desapaixonada levará à conclusão de que a política financeira que está sendo seguida é correta e inescapável. E condição para que o governo Lula consiga realizar o que foi prometido ao povo. O problema é que o descrédito interno pode ter conseqüências políticas que tornem todos os sacrifícios inúteis, a ótica pessimista levando à ingovernabilidade.

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