A chef Geraldine Miraglia ficou constrangida. Proprietária de um dos melhores bistrôs da cidade, a Oli Gastronomia, teve de ir urgente às compras no início da semana: xícaras de chá. Tudo porque sua casa foi premiada como ?Melhor Casa de Chá? pelos jurados da revista Veja Curitiba. E como a Oli não é uma casa de chá, contava até então com apenas três xícaras, para os eventuais clientes que porventura desejassem provar as poucas opções que possui na carta. Decidiu adquirir mais para tentar atender aos novos clientes sugestionados pela revista. Mesmo assim não se conformou com a escolha e garante que não vai transformar o bistrô em casa de chá.

Foi esse um dos tantos equívocos na premiação dos ?melhores de Curitiba?, segundo a revista, na semana passada. Na mesma categoria, o segundo: a Oli empatou com a Provence Boulangerie, que, como o nome diz, também não é casa de chá e sim uma padaria de primeira linha.

Culpa dos jurados, um tanto desinformados? Claro que não. A responsabilidade é da revista, que os escolheu. Para o júri de restaurantes, por exemplo, foram convidadas pessoas envolvidas com a culinária, quase todas ligadas a cursos de gastronomia na cidade. Mas cozinhar não é pré-requisito para conhecer as melhores casas da cidade. Perguntei, en passant, a dois deles, no dia da festa dos prêmios, sobre uma nova casa, aberta em fevereiro em Curitiba ? e que já está entre os locais favoritos dos gourmets. Um deles já tinha ouvido falar, o outro nem isso. Quis saber sobre a carta de vinhos do Durski, tida pelos enófilos e pelas confrarias especializadas como a mais completa da cidade (prêmio da Revista Prazeres da Mesa como uma das 10 melhores Adegas do Brasil) ? e que teve apenas um voto. Não sabiam.

Como puderam votar, então? Talvez seja por aí que se expliquem algumas distorções, como a classificação do Terra Madre como o melhor variado? Os proprietários ganharam, mas não ficaram satisfeitos. No início do ano o chef Celso Freire voltou de um período de re-estudos na Itália e lançou, com grande pompa, o novo cardápio do Boulevard, agora com ?sotaque italiano?. Ganhou como melhor francês – os jurados devem ter votado por osmose, talvez influenciados pelo nome da casa.

Isso sem contar o ?cachorro-quente? do Bar do Alemão ou o ?churrasco contemporâneo? do Jardins Grill.

Difícil mesmo deve ter sido escolher o melhor oriental da cidade. E aí por orientação da revista, que inclui na mesma categoria qualquer restaurante que tenha relações com a Ásia. Ou seja: teriam de escolher entre um árabe, um chinês, um japonês, um tailandês e um indiano, como se fosse possível comparar comidas tão distintas.

É, a nova equipe da Vejinha na cidade terá muito trabalho para reorganizar as coisas por aqui.